A Carioca

A alegoria da Carioca é representada por uma mulher forte, nua, com longos cabelos negros, sentada em uma rocha com rico panejamento em branco e vermelho, acima das águas do rio Carioca, em meio à paisagem.

Pedro Américo (1843-1905), pintor de formação neoclássica no Brasil e com longo aprendizado na Europa, parece ter como modelo para a produção de sua tela os robustos corpos michelangianos, tais como a Sibila Délfica com seu protuberante cotovelo, pintadas na abóbada da Capela Sistina.

O artista pinta duas vezes esta polêmica obra. A primeira tela foi realizada em 1864 e oferecida como um presente ao Imperador D. Pedro II, que a recusa por considerá-la imoral ou licensiosa, por sua nudez extremamente sensual. Pedro Américo oferece-a, então, ao Imperador Guilherme I da Alemanha, e a obra tem hoje incerto paradeiro.

Sua réplica foi realizada em 1882 e apresentada na exposição daquele ano, já com aceitação maior do público e da crítica, se comparada ao primeiro quadro.

Em sua coletânea de críticas, “A Arte Brasileira”, publicada em 1888, Gonzaga Duque escreve:

“Como todos os coloristas, Américo procura o contraste das cores dos acessórios como objetivo. Na ´Carioca´, um dos quadros mais antigos do autor de Jacobed, esta qualidade, ou melhor, essa preocupação está indelevelmente acentuada. O ultramar puro do céu parece, a quem observa o quadro por partes, de um efeito exagerado, mas para o conjunto, esse exagero é um elemento de força e, consintam-me dizer, de quentura.

Nesse fundo carregado, caloroso, fora do vulgar, a formosa figura sobressai, imponente, grandiosa, fantastica. Se em lugar desse ultramar, o pintor cobrisse a tela com o azul de cobalto ou mesmo com o ultramar e branco, a parte da rocha em que senta-se a figura não teria o profundo mistério que a envolve, nem ela aparecer-nos-ia tão feiticeira e bela porque o tom róseo de suas carnes esmoreceria com a fraqueza dos tons do fundo. Assim, o seu olhar é mais ardente, os seus cabelos mais negros, a sua boca mais vermelha, o seu corpo mais lúbrico, o sítio em que está mais silencioso e encantado.”

Elaine Dias
16/02/2011

Bibliografia:
L. Gonzaga-Duque Estrada, Arte Brasileira. Campinas: Mercado das Letras, 1995, p. 168.

Artista

Pedro Américo de Figueiredo e Melo

Data

1882

Local

Rio de Janeiro, Museu Nacional de Belas Artes

Medidas

205 x 135 cm

Técnica

Óleo sobre tela

Suporte

Pintura

Tema

A Figura Humana Retratos e Caricaturas

Período

O SÉCULO XIX NA AMÉRICA HISPÂNICA E NO BRASIL (A PARTIR DE 1822)

Index Iconografico

1209 - Representações Alegóricas dos Países e Cidades;
1209Rio - Rio de Janeiro; 1211 - Tipologias e Alegorias de Grupos Humanos; 1211Car - Cariocas; 1384 - O Erotismo; 1385 - Alegorias eróticas;

Autor

Luiz Marques

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