Kleobis e Biton

Heródoto (Historia, I,31) narra a recepção reservada
a Sólon por Cresus, rei da Lídia, no palácio de Sardis,
capital de seu reino. Após mostrar seus tesouros, Cresus
pergunta a Sólon quem lhe parecia ser o homem mais feliz do
mundo, na expectativa de que seu hóspede o nomeasse. Mas
Sólon, recusando-se a lisongeá-lo, nomeia primeiramente
Telos de Atenas e, em segundo lugar, os irmãos Cleobis e
Biton, representados nestas duas estátuas de Polymedes:

“Estes jovens de raça argiva, suficientemente abastados,
tinham uma excepcional força física, sendo ambos vencedores
dos Grandes Jogos. A seu respeito, conta-se a seguinte
história. Os argivos celebravam um festival dedicado a Hera,
ocasião em que a mãe de Cleobis e Biton [uma sacerdotisa de
Hera] devia ser levada em um carro de bois ao templo daquela
divindade. Ora, os bois não chegaram a tempo e, premidos
pela hora, ambos colocaram-se eles próprios sob o jugo e
puxaram o carro sobre o qual se colocara sua mãe. Eles o
puxaram ao longo de 45 estádios [aproximadamente 8
kilômetros] até chegarem ao santuário.

Após este feito, realizado em presença de toda a assembleia,
Cleobis e Biton tiveram o mais belo fim, e a divindade
mostrou através deles que mais vale, para o homem, estar
morto que vivo. Com efeito, os argivos rodearam os jovens
felicitando-os por sua força, enquanto as argivas
felicitavam sua mãe por tais filhos. E a mãe, feliz pela
proeza deles e pelo rumor que ela suscitava, de pé diante da
estátua rogou à deusa que outorgasse aos seus filhos, que a
tinham de tal modo honrado, a maior felicidade acessível a
um mortal. Após essa oração, os jovens sacrificaram e
tomaram parte no banquete. Depois, adormeceram no próprio
santuário para não mais despertar. Tal foi o termo de suas
vidas. Os argivos erigiram-lhes estátuas que eles
consagraram em Delfos, pois consideravam que os irmãos se
haviam mostrado os melhores dos mortais”.

O relato de Heródoto, dedicado ao elogio da sapiência grega
em oposição ao culto do fasto oriental, é um dos momentos
mais celebrados e discutidos de sua obra, tanto por seu teor
factual quanto por seu significado filosófico e
antropológico.

Em 1893, escavações em Delfos empreendidas sob a direção de
Théophile Homolle, exumaram estas duas estátuas, cujas
inscrições, escritas em dois dialetos diferentes, em suas
bases, permitiram a identificação do escultor e da

Artista

Polymedes de Argos

Data

-590- 580 a.C.

Local

Delfos, Museu Arqueológico

Medidas

desconhecidas

Técnica

Mármore

Suporte

Escultura

Tema

Mitologia, História e Topografia Antigas

Período

ARTE GRECO-ROMANA

Index Iconografico

132 - Kouroi, Hoplitas, Efebos e Atletas

Autor

Luiz Marques

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