Triunfo de João Corvino

Registro inventarial: MS Clmae 417

Matias Corvino, nascido Hunyadi (1443-1490) foi rei da Hungria de 1458 a 1490, data de sua morte em Viena. Sua educação foi toda italiana e em italiano e seu reinado pautou-se pelo modelos de civilização dos grandes centros italianos da segunda metade do Quatrocentos, imitação de que se beneficiaram as principais cidades de seu reino.

Seus sucessores, Ladislau II e Luís II, souberam igualmente imprimir em suas cortes a marca da cultura italiana, muito embora esta influência seja aos poucos substituída pelas necessidades mais prementes das guerras contra os turcos, até a catastrófica queda de Buda em 1541.

Em 1476, Matias Corvino desposa em terceiras núpcias Beatrice de Aragona, filha de Don Ferrante (ou Ferdinando) de Aragona (1423-1494), rei de Nápoles, aliança que aprofunda suas relações com a Itália. Assim, ao fundar a Universidade e a Biblioteca de Buda, vale-se ele de arquitetos e artistas italianos.

Matias Corvino possuía provavelmente a maior biblioteca da Europa de seu tempo ao norte dos Alpes para a direção da qual ele nomeia, em 1461, Marzio Galeotto, sucedido por outro humanista italiano, Taddeo Ugoletto. Sua biblioteca possuía o maior número de manuscritos italianos fora da Itália, muitos deles iluminados por artistas florentinos como Gherardo di Giovanni e o grande Attavante degli Attavanti (1452-1525c.).

Trata-se de uma inicial “N” do manuscrito que, por encomenda régia, o poeta e historiador Antonio Bonfini (1434-1503) traduziu de várias obras – Heróicos, os Ícones, as Vidas dos Sofistas e as Epístolas – atribuídas então ao mesmo Filóstrato e reunidas sob o título: Divo Mathae Corvino principi invictissimo Ungarie Boemieque regi Philostrati Heroica, Icones, Vite sophistarum et Epistole ab Antonio Bonfine traducte et in Corvinam bibliothecam regia impensa relate.

A miniatura mostra, supostamente, João Corvino, filho ilegítimo de Matias, sendo levado em triunfo, à maneira de uma das muitas imagens que decoram os manuscritos dos Trionfi de Petrarca ou que a estes aludem.

A cena tem por referência histórica a entrada triunfal de Matias Corvino em Viena em 1. de junho de 1485, à frente de oito mil soldados, cidade que se torna capital de seu reino, o maior da Europa central nestes anos. As muralhas e a silhueta urbana que se vêem ao fundo da paisagem são supostamente as de Viena e uma de suas torres, a da catedral de S. Estevão.

Luiz Marques
08/02/2011

Bibliografia:
1982 – G. Török, Matthias Corvinus und die Renaissance in Ungarn. Catálogo da exposição. Schallaburg
1993 – Michael Koortbojian and Ruth Webb, “Isabella d´Este´s Philostratos”, Journal of the Warburg and Courtauld Institutes, 56, pp. 260-267.

Artista

Anônimo

Data

1487c.

Local

Budapest, National Szechenyi Library

Medidas

desconhecidas

Técnica

Têmpera sobre pergaminho

Suporte

Pintura

Tema

Alegorias e Temas Artísticos Morais e Psicológicos

Período

SÉCULO XV

Index Iconografico

869 - Entradas, Cortejos e Triunfos Modernos

Autor

Luiz Marques

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