Pietà. Detalhe 1

(continuação do texto da imagem principal)

Como referido no texto anterior, Vasari enfatiza em sua descrição da obra a representação do corpo morto do Cristo:

“Em meio ao que de belo aí se vê, além de seu panos divinos, está o Cristo morto, e não se pense ver outro de tanta beleza de membros e artifício de corpo, um nu tão bem dotado de músculos, veias, nervos sobre a ossatura, nem um morto mais semelhante ao morto.

É dulcíssimo o semblante e tal a concordância na articulação e na conjunção dos braços, do corpo e das pernas e tão trabalhados os pulsos e as veias, que o próprio assombro se maravilha que mão de artista tenha podido tão divina e apropriadamente fazer em tão pouco tempo algo tão admirável”.

Note-se, a respeito, a feliz expressão de Guillaume [1876:63]:

C´est la mort moins la rigidité. Ici il n´y a point de cadavre; la vie n´est point perdue, elle n´est qu´absente. .

“É a morte menos a rigidez. Aqui não há cadáver; a vida não se perdeu, apenas está ausente”.

No que se refere à expressão vasariana “nem um morto mais semelhante ao morto”, Paola Barocchi (1962) observa a alusão, evidente no ambiente cultural florentino, ao verso de Dante, já explicitada por Varchi [1549:116]:

Morti gli morti, e´ vivi parean vivi

“Mortos, os mortos, e os vivos pareciam vivos”

Sobre os versos do madrigal citados por Vasari (ver texto da imagem principal), uma glosa a um exemplar da edição de 1550 das Vidas de Vasari esclarece que seu autor é Giovan Battista di Filippo Strozzi, i.e., Giovanni Battista Strozzi il Vecchio (1505 – 1571), Cônsul da Accademia Fiorentina em 1540 e autor de um livro de Madrigais postumamente editado (Florença, Sermatelli, 1593). Segundo Milanesi e Barocchi (1962), foi ele composto para uma cópia desta Pietà executada em 1549 por Nanni di Baccio Bigio e destinada à igreja de Santo Spirito em Florença.

Sempre na longa citação transcrita no texto da imagem principal, Vasari procura refutar os “tolos” que criticam o fato da Virgem parecer mais jovem que o Cristo. Esta explicação é mais minuciosamente descrita por Ascanio Condivi (1553), que a atribui ao próprio Michelangelo, e conclui: “Consideração digníssima de um teólogo”.

Já Perugino havia pintado provavelmente duas Pietà por volta de 1493-1496 – a mais famosa das quais para o Convento di San Giusto degli Ingesuati em Florença fuori Porta a Pinti, hoje nos Uffizi* (há uma réplica assinada na National Gallery de Dublin) -, nas quais ambas as fig

Artista

Michelangelo Buonarroti

Data

1498/ 1500

Local

Roma (Vaticano), Basílica de São Pedro

Medidas

174 cm

Técnica

Mármore

Suporte

Escultura

Tema

Bíblia e Cristianismo

Período

SÉCULO XV

Index Iconografico

613 - Pietà

Autor

Luiz Marques

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