Cartão da Batalha de Cascina (Grupo dos Banhistas) Detalhe

(continuação do texto que acompanha a imagem principal)

O poder evocador, a maestria e a percepção da importância histórico-artística desse cartão transparecem nesta descrição de Vasari, que alterna primeiríssimos planos e grandes angulares, numa organização rítmica digna de figurar em uma antologia da ekphrasis, isto é, das descrições antigas das obras de arte.

Como ressalta Barocchi (1962): “a descrição de Vasari (…) funda-se essencialmente sobre a ´variedade´”, sublinhando os “movimentos precipitados, efeitos de causas instantâneas e os escorços difíceis, que não prevalecem virtuosisticamente, mas configuram um movimento geral”.

Em sua La Vita (I,xii), Benvenuto Cellini sobrepõe a excelência do cartão aos próprios afrescos da Sistina:

“Este cartão foi a primeira bela obra em que Michelangelo mostrou suas maravilhosas virtudes e o fez em emulação com Leonardo da Vinci. (…) Estes dois cartões ficaram, um no palácio dos Medici, e outro na sala do Papa. Enquanto ali estiveram íntegros, foram a escola do mundo. Se bem que o divino Michelangelo pintou depois a grande capela de Júlio II, não atingiu sequer a metade daquele nível; seu talento não voltou a ter a força daqueles primeiros estudos”.

O conhecimento que Vasari tem do cartão da Batalha de Cascina baseia-se em fragmentos ou em testemunhos indiretos, uma vez que quando de sua primeira visita a Florença, em 1524 (aos 13 anos), o cartão fora já certamente desmembrado.

Sua descrição da cena da batalha demonstra que a cópia em grisaille da cena desta cena dos Banhistas, principal documento visual através do qual o cartão é hoje conhecido -, representa apenas uma cena, provavelmente a principal, de uma panorâmica composição, caso idêntico ao do Grupo de cavaleiros da batalha pelo estandarte, no que respeita à batalha leonardiana.

Trata-se, provavelmente, da cópia encomendada em 1542 pelo próprio Vasari a Bastiano (alias Aristotile) da Sangallo. A esse respeito, Vasari escreve na Vida deste artista:

Questo disegno poi l´anno 1542 fu da Aristotile, a persuasione di Giorgio Vasari suo amicissimo, ritratto in un quadro a olio di chiaro scuro, che fu mandato per mezzo di monsignor Giovio al re Francesco di Francia, che l´ebbe carissimo e ne diede premio onorato al San Gallo: e ciò fece il Vasari perché si conservasse la memoria di quell´opera, attesoché le carte agevolmente vanno male.

“Este desenho, depois, em 1542 foi copiado por Aristotile, a pedido de Giorgio Vasari, amicí

Artista

Michelangelo Buonarroti, cópia

Data

1504/ 1542

Local

Norfolk, Holkham Hall

Medidas

76,4 x 130,2 cm

Técnica

Óleo sobre madeira

Suporte

Pintura

Tema

História Medieval Moderna e Contemporânea

Período

36 - SÉCULO XVI

Index Iconografico

866 - História militar na Europa após a Antiguidade;
866.1364 - Batalha de Cascina

Autor

Luiz Marques

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