Um domingo na tarde na ilha de Grande Jatte

“Esta obra marca o nascimento de uma nova técnica pictórica o “”divisionismo”” como o denominara o pintor ou “”puntilhismo””como se conhecera posteriormente. No lugar de misturar os pigmentos na paleta como seus contemporâneos o pintor francês George Seurat, aplica as cores primarias direitamente sobre a tela ponto, a ponto, que logo na retina do espectador tomará a forma e a tonalidade desejada.

Esta cena de lazer numa paisagem marina, neste caso um rio, trata-se como dissera o crítico Felix Fénéon de um: “”multicolor gentio dominical disfrutando bajo un cielo estival””. O quadro incompreendido por seus contemporâneos não abandonara o atelier do pintor até depois de sua morte em 1891. Nove anos depois, numa exposição e venta organizada pela família de Seurat e alguns de seus amigos como Signac, a obra será vendida por 800 francos a um rico burguês parisiense. Em 1919, a peça sairá novamente ao mercado proposta ao Metropolitam Museum de Nova Iorque cuja direção se negará à compra da obra, que em 1924 será adquirida por 20.000 dólares pelo potentado de Chicago, Frederic Clay Bartlett quem a doara ao Art Institute de Chicago.

A obra prima monumental, um luxo que podia permiti-se Seurat, dentre poucos artistas, graças a ajuda de seu pai enriquecido com a especulação mobiliaria, fora realizada quando o pintor contava apenas 25 anos. Seurat tinha abandonado a academia aos 21 anos negando-se a criar os clássicos quadros de tema histórico e mitológico. Seduzido pelos impressionistas, o artista saíra a pintar ao ar livre realizando desenhos de pessoas simples, obsessionado por captar a luz. Ao contrario dos impressionistas, Seurat preparava suas obras em vários estudos preliminares por meio de taboas de pequeno formato onde pintava diferentes partes da paisagem e paralelamente realizava desenhos em preto e branco das figuras em varias posições, que logo combinava no tela em seu atelier.
Nesta paisagem se reúnem ao redor de 40 figuras e o próprio pintor admitira ter-se inspirado num friso do escultor grego Fídias: “”Las Panateneas de Fidias avanzan en procesión. Yo quiero representar personajes modernos que deambulan por este friso captados en sus rasgos esenciales””.
Na senda do Sena, coincidem personagens várias classes sociais, indicadas pelo pintor através de suas roupas e posturas, como o homem da gorra deitado na grama fumando um cachimbo, possivelmente um operário em seu dia livre; o senhor sentado no fundo, de terno, chapéu alto e bengala componente de uma burguesia em ascensão, ou a dama entre ambos, que aparenta bordar sentada na grama, cujo rosto está coberto pelo chapéu como quase todas as figuras femininas da cena, indicador de sua decência, presumivelmente alude a uma dama de companhia. Na silhueta das figuras femininas se adivinham o corsets que estreitam as cinturas e os “”cul de paris”” de moda nesta época como estrategia para acentuar as curvas dos assentos femininos.
Na obra o pintor introduz vários elementos de estranhamento que tem provocado numerosos debates entre os historiadores da arte, como e o caso da mulher que no primeiro plano segura por uma correia um macaquinho e um cachorro a estilo das cortesã de séculos anteriores, ou a mulher que frente ao rio segura a vara de pescar e que tem sido associada ao jogo linguístico entre (pêcher) pescar e (pécher) pecar . No entanto, a obra de Seurat não possui um caráter anedótico em se, as figuras tem o rosto muito pouco definido que impede o reconhecimento dos personagens, convertendo-se assim em lugar de retratos individuais, no reflexo geral de uma época concebido a través de uma solução inteiramente plástica.

Mónica Villares Ferrer, Mestre em História da Arte.
15/06/2010.

Bibliografia
Rose-Marie “

Artista

SEURAT, George

Data

1884/1886

Local

Chicago, Art Institute

Medidas

207 x 308 cm

Técnica

Óleo sobre tela

Suporte

Pintura

Tema

Vida Social e Gênero

Período

50 - SÉCULO XIX

Index Iconografico

N

Autor

Luiz Marques

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