Coroação de D. Pedro em 1. de Dezembro de 1822 na Capela do Paço Imperial

Entre os séculos XVII e XIX, no âmbito da pintura de história, os artistas elaboram sucessivos modelos da cena de coroação, em especial a partir da coroação de Maria de´ Medici por Rubens, hoje na Galerie Médicis do Louvre. Outros grandes momentos do gênero podem ser lembrados, tais como as coroações do Doge Alvise IV Mocenigo em Veneza (Louvre), de Carlos X (Chartres) e de Alexandre II (Hermitage).

Na imensa “Sagração do Imperador Napoleão e Coroação da Imperatriz Josefina na Catedral de Notre-Dame de Paris em 1804” (621 x 979 cm), Jacques-Louis David retoma e atualiza o modelo de Rubens, fixando um modelo do tema para o século XIX. Théodore Géricault afirmava a respeito que o quadro de David era aussi beau que Rubens! (tão belo quanto Rubens)

Seguindo o exemplo de seu mestre David, Jean-Baptiste Debret representou a Coroação de D. Pedro I em 1822. No interior da capela, vemos D. Pedro com o novo manto imperial verde-americano e com plumas de tucano. O manto, semelhante ao ponche, traje usado em São Paulo e no sul do país, diferencia-se do de D. João VI, e “o bordado de estilo largo lembra, pela sua forma, grupos de folhas de palmeira e frutos da mesma árvore”, reforçando a mudança dos atributos e promovendo uma nova simbologia, nacionalista e popular, em razão da Independência perante Portugal.

O cetro alongado, no entanto, é semelhante ao de Napoleão, embora conserve a serpe da Casa de Bragança em sua extremidade. Curiosamente, ele porta botas de cavalaria.

D. Pedro foi coroado pelo bispo José Caetano da Silva Coutinho, que figura do lado direito da cena. Assim como David fizera, Debret retrata muitos dos personagens presentes, desde seus ministros, o clero, a família imperial, até o último convidado ao final da igreja.

À frente do Imperador, ajoelha-se o presidente do Senado da Câmara Municipal Lúcio Soares Teixeira de Gouveia, evidenciando o caráter religioso da cerimônia e colocando D. Pedro como uma espécie de santo no altar da igreja barroca, reforçando a fé católica e política dos seus súditos.

Elaine Dias
17/02/2011

Bibliografia:
1834-1839 – Jean-Baptiste Debret, Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil. São Paulo: Livraria Martins, 1940

Artista

DEBRET, Jean-Baptiste

Data

1828

Local

Brasília, Palácio do Itamaraty

Medidas

340 x 640 cm

Técnica

Óleo sobre tela

Suporte

Pintura

Tema

História Medieval Moderna e Contemporânea

Período

O SÉCULO XIX NA AMÉRICA HISPÂNICA E NO BRASIL (A PARTIR DE 1822)

Index Iconografico

882 - Brasil Império; 882.1822 - Primeiro Reinado; 869 - Entradas, Cortejos, Triunfos e Corações na Idade Moderna e Contemporânea; 869ped - Pedro I

Autor

Luiz Marques

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