Teseu (outrora Doríforo)

“Descoberta em 1797 na assim chamada Palestra Sannitica de Pompeia, esta escultura é a cópia romana melhor conservada, dentre as muitas existentes (Uffizi, Vaticano, Berlim, Minneapolis, etc.), de um suposto original brônzeo atribuído a Policleto, o grande bronzista de Argos, ativo no Peloponeso, em Atenas e em Éfeso, entre 465 e 417c. a.C.
Tratar-se-ia de sua última obra criada no Peloponeso, antes de sua estada em Atenas, entre 445 e 431.

Como afirma Plínio (XXXIV, 5,10), Policleto foi contemporâneo e rival de Míron, inclusive no emprego do bronze. Miron utilizava o bronze de Egina, enquanto POlicleto, o de Delos. Ambos os escultores, assim como Fídias, foram discípulos de Hageladas e tal rivalidade decorre talvez da disputa por encomendas em Olímpia, Esparta e Atenas,

Mas a oposição emblemática entre Míron e Policleto deve-se também, e sobretudo, a concepções poéticas opostas da representação do corpo humano. Para Míron, a estátua “”devia fixar o instante fugaz, para Policleto, visar o modelo absoluto do homem”” (Antonio Corso). Para Policleto, a estátua não deve aludir à “”poesia da situação””, mas buscar a harmonia estável das formas.

Este interesse pela estrutura dinâmica do corpo teria levado Policleto a fazer um pioneiro tratado sobre as proporções humanas, intitulado Cânone, decerto sob influência do pitagorismo. Deste tratado, mencionado entre outros por Galeno (De temperamentis, I,9) e Luciano (De Saltatione, 75), conservam-se apenas três fragmentos, relativos à correspondência harmônica das partes, sua simetria e sua modularidade.

O sistema de proporções codificado pelo Cânone de Policleto funda-se nas relações matemáticas entre os diversos módulos do corpo, privilegiando o módulo da cabeça (1/7 do corpo) ou do dedo (a falangeta?), o contrapposto ou quiasma entre a flexão e a distensão dos braços e das pernas e a representação da marcha no repouso. A figura pivota sobre a perna direita, avançada, em direção à qual volta-se a cabeça. A perna esquerda, afastada para trás, como em um passo, flexiona-se.

A reconstituição dos fragmentos da estátua foi realizada pelo escultor Solari, que colocou na sua mão esquerda uma lança, abrindo a via para a interpretação, consagrada em 1863 por Karl Friederichs, segundo a qual a escultura representaria o Doríforo (lanceiro) de Policleto,
mencionado por Plínio (XXXIV,55):

Polyclitus Sicyonius (…) fecit (…) doryphorum viriliter puerum

“”Policleto de Sicion (…) fez o doríforo, rapaz de aspecto viril””

Dotado agora de uma lança, a escultura foi em 1909 identificada com Aquiles por Friederich Hauser a partir de outra passagem de Plínio (XXXIV,18), segundo a qual:

Placuere et nudae tenentes hastam ab epheborum e gymnasiis exemplaribus; quas Achilleas vocant

“”Também agradavam estátuas nuas segurando uma lança, do tipo das que representam efebos, colocadas nos ginásios: chamam-nas Aquiléias””.

A posição da lança na mão esquerda da figura, além de outras incongruências, levaram Vincenzo Franciosi a dissociar esta escultura do Doríforo, o qual, segundo este autor poderia ser identificado com uma escultura no British Museum.

A presente escultura de Nápoles devia trazer uma espada na mão direita e um escudo na mão esquerda e pode ser identificada com uma estátua de Teseu. Esta proposta, avançada por Petros Themelis e Franciosi, baseia-se na descrição de Pausânias do Ginásio de Messênia (sul do Peloponeso), descrição confirmada pela descoberta na stoa ocidental deste Ginásio de uma escultura do tipo Doríforo.

Luiz Marques
09/01/2011

Bibliografia
68c.-79 – Plínio, Naturalis historia, livro XXXIV, ed. aos cuidados de A. Corso, Turim, Einaudi, 1988
1949 – L. Stefanini, “”Ispirazione del ´Canone´ di Policleto””. Giornale critico della filosofia italiana, 28,3, pp. 93-102.
2003 – V. Franciosi, Il “”Doriforo”” di Policleto. Com Prefácio de P. G. Themelis. Nápoles, Jovene Ed.”

Artista

Policleto, cópia romana de

Data

-450/ 445 a.C.

Local

Nápoles, Museo Archeologico Nazionale

Medidas

desconhecidas

Técnica

Mármore

Suporte

Escultura

Tema

Mitologia, História e Topografia Antigas

Período

ARTE GRECO-ROMANA

Index Iconografico

80aqui - Aquiles; 71F - Teseu; 88Ore - Orestes; 132 - Koúroi, Hoplitas, Efebos e Atletas

Autor

Luiz Marques

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