Visão de João na Ilha de Patmos

Registro inventarial: Ms 65

Trata-se do fólio 17r do manuscrito Les Très Riches Heures du Duc de Berry, dedicado nos fólios 17 a 19 à Leitura dos Evangelhos.

A imagem representa a visão de João na ilha de Patmos, consignada em Apocalipse, I, 9-13:

“Eu, João, (…) encontrava-me na ilha de Patmos por causa da Palavra de Deus e do Testemunho de Jesus. No dia do Senhor fui movido pelo Espírito, e ouvi atrás de mim uma voz forte, como de trombeta, ordenando: ´Escreve o que vês, num livro e envia-o às sete Igrejas….”.

A imagem criada por Pol Limbourg e seus irmãos radica precisamente na passagem 4,1-7:

“Tive uma visão: havia uma porta aberta no céu, e a primeira voz, que ouvira falar-me como uma trombeta, disse: Sobe até aqui, para que eu te mostre as coisas que devem acontecer depois destas. Fui imediatamente movido pelo Espírito: eis que havia um trono no céu, e no trono, Alguém sentado… O que estava sentado tinha o aspecto de uma pedra de jaspe e cornalina, e um arco-íris envolvia o trono com reflexos de esmeralda.

Ao redor deste estavam dispostos 24 tronos e neles
assentavam-se 24 Anciãos, vestidos de branco e com coroas de ouro na cabeça. (…) No meio do trono e ao seu redor estavam quatro Seres vivos, cheios de olhos pela frente e por trás. O primeiro Ser vivo é semelhante a um leão; o segundo Ser vivo, a um touro; o terceiro tem a face como de homem; o quarto Ser vivo é semelhante a uma águia em vôo”.

O comitente deste celebérrimo manuscrito é Jean de Berry (1340-1416), terceiro filho do rei de França, Jean II le Bon e irmão do rei Charles V e de Philippe le Hardi, futuro duque da Borgonha.

Após a morte de Charles V em 1380 (deixando seu descendente, o futuro Charles VI, com apenas 12 anos), o duque de Berry torna-se uma espécie de vice-rei no centro e no sul da França. Seu destino ulterior conhece, contudo, percalços diversos, notadamente desde 1411, quando seu palácio parisiense, o célebre Hôtel de Nesle, é pilhado, juntamente com seus castelos de Bicêtre e de Bourges, e sobretudo após 1415 quando da tremenda derrota francesa frente aos cavaleiros ingleses na batalha de Azincourt, que o priva de uma parte de sua família, acelerando sua morte em 1416.

De uma riqueza imensa, que incluía nada menos que 17 castelos e palácios, todos repletos de esculturas, em geral não conservadas, o duque de Berry foi um potente mecenas de artistas como Jean de Cambrai, Jacqmart de Hesdin e os três irmãos Limbourg.

Sua biblioteca, dirigida

Artista

Limbourg, Pol, Jan e Hermann

Data

1413/ 1416

Local

Chantilly, Musée Condé

Medidas

290 x 210 mm

Técnica

Têmpera sobre pergaminho

Suporte

Pintura

Tema

Bíblia e Cristianismo

Período

SÉCULO XV

Index Iconografico

688 - Apocalipse de João;

Autor

Luiz Marques

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