Retrato de Caroline Murat como Rainha de Nápoles

Assinado: “Ingres P[in]xit 1814”

Irmã mais jovem de Napoleão, Maria-Annunziata Caroline
Bonaparte (1782-1839) foi Alteza Imperial em 1804, quando
seu irmão se sagra imperador, e Grande-Duquesa de Berg em
1806, quando da vitória francesa sobre o Império austríaco.
Em tal condição, é retratada por Elisabeth Vigée-Lebrun.
Tendo desposado em 1800 Joachim Murat (1767-1815), um dos
mais fiéis colaboradores de Napoleão, Caroline se torna
Rainha Consorte pelo tratado de Bayonne de 15 de julho de
1808 que confere a seu marido o trono de Nápoles.

Redescoberto em 1987 em uma coleção privada, este retrato
mostra a rainha Caroline Murat reinando sobre o Vesúvio
fumegante e sobre a baía de Nápoles, entrevistos pelo
terraço envidraçado e decorado de cetim e seda de seu
aposento, conhecido como grand cabinet. Veste-se de
veludo preto possivelmente em luto pela morte de sua
cunhada, a Imperatriz Josephine de Beauharnais, em 29 de
maio de 1814, de quem Napoleão se divorciara em 1810.

Conisbee faz notar como a posição da retratada entre a
poltrona e a mesa recoberta por um veludo verde com franjas
douradas, sobre a qual ela apoia a mão que marca a página de
um pequeno livro, remete ao retrato de seu irmão como
Primeiro Cônsul, pintado por Ingres em 1804, hoje no Musée
d´Armes de Liège.

Veja: http://www.mare.art.br/detalhe.asp?idobra=3626

Entre 1804 e 1814, Ingres se tornara um artista reconhecido
pelos Bonaparte e por Murat, que lhe comprara em 1809 um
desenho de uma mulher nua deitada, em escala natural, numa
exposição no Capitólio, em Roma (a assim chamada “Adormecida
de Nápoles), e lhe encomendara como pendant a
Grande Odalisque, hoje no Louvre. Além disso, Ingres
pintara para ele outros dois de seus mais célebres quadros
troubadour, as Fiançailles de Raphael do
Walters Art Gallery de Baltimore e o “Paolo e Francesca”,
do Musée Condé de Chantilly.

Em uma carta de 7 de julho de 1814 a seu amigo, Marcotte
d´Argenteuil (1773 – 1864), Ingres menciona o presente
retrato, que ele acabara de pintar:

“Faz aproximadamente seis semanas que cheguei a Nápoles
(…). Acabei de pintar um pequeno retrato de corpo inteiro
dela [Caroline Murat] e estou também terminando para ela a
peça de acompanhamento daquela figura feminina adormecida
que o rei adquiriu-me 5 anos atrás. A bem da verdade, ela
pediu-me que lhe pintasse todos os retratos dela e de seus
filhos, mas tudo dependerá das circunstâncias, como você
pode bem imaginar. Fui belamente recebido aqui e este
trabalho poderia significar minha fortuna. Mas no momento,
estou apenas tentando sobreviver. Logo serei pai…”

Por este retrato e pelas demais encomendas provenientes dos
Murat, Ingres nunca receberia pagamento algum, em
decorrência da subsequente derrota de Napoleão em 18 de
junho de 1815 na batalha de Waterloo, da morte de Joachim
Murat em 13 outubro desse mesmo ano e do naufrágio do
domínio de seus aliados e parentes. Caroline Murat deveria
ser então obrigada a abandonar para sempre seu palácio e o
reino de Nápoles.

Ademais, malgrado o apuro com que o prepara com desenhos
preparatórios e o pinta, este retrato viria a ser objeto de
dissabores para Ingres, que teve de repintar três vezes a
cabeça e o chapéu com penas de avestruz da rainha,
considerados por ela insatisfatórios.

Luiz Marques
29/01/2012

Bibliografia
1999 – P. Conisbee, in G. Tinterow, P. Conisbee,
Portraits by Ingres. Image of an Epoch. Catálogo da
exposição. New York, The Metropolitan Museum of Art, pp.
144-148.

Artista

INGRES, Jean-Auguste-Dominique.

Data

1814

Local

Coleção Particular

Medidas

92 x 60 cm

Técnica

Óleo sobre tela

Suporte

Pintura

Tema

História Medieval Moderna e Contemporânea

Período

50 - SÉCULO XIX

Index Iconografico

872.1795 - Guerras Napoleônicas; 1700C - Retratos Pintura;
1700C1 - Retratos contemporâneos

Autor

Luiz Marques

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