La Duquesa de Alba

A possível relação amorosa entre María del Pilar Cayetana de Silva Alvarez de Toledo, XIII duquesa de Alba, primeira dama de relevância na corte, depois da renha de Espanha, e o pintor real da corte Francisco Goya y Lucientes, tem sido motivo de grandes debates entre os historiadores, neste sentido, este retrato pode ser entendido como uma prova desa relação, ou pelo menos, do interesse romântico do artista respeito a dama. Neste retrato, a Duquesa exibe na sua mão direita dois anéis, um deles leva a inscrição, Alba, em representação de seu linagem familiar enquanto no dedo indicador o outro deixa ler com letras claras Goya, como se não vastasse com esta mostra da ligação entre o artista e sua modelo, a Duquesa assinala com este mesmo dedo a areia sob seus pés onde se lê escrito sobre a areia “Solo Goya”.
No retrato, a Duquesa de Alba ocupa todo o espaço, a paisagem a sua volta não possui acessórios que compitam com a relevância de sua figura, não existem elementos arquitetônicos, nem árvores para respaldar sua postura. A areia sob seus pês, junto com as plantas ao fundo, dão a ideia de um entorno próximo ao mar, e tem sido realizadas com uma pincelada solta. O fundo monocromo destaca a figura imponente que em primeiro plano adota uma posse que sugere tanto seu orgulhoso caráter, como seu rango dentro da nobreza espanhola, encarando direitamente ao espectador.
A Duquesa esta vestida de negro e dourado com um lazo vermelho atado na cintura seus diminutos pês sobressaem do vestido calçados por saltos também bordados em ouro. A controversa figura da duquesa que disputava com a Rainha, segundo os historiadores, amantes e popularidade, tornou sua morte cinco anos depois deste retrato, uma pagina de mistério sob o rumor de que teria sido envenenada. Rostro impassível pose orgulhosa , a mão esquerda apoiada nas cochas em arrogante atidão de replica. O pintor apresenta a Duquesa como uma mulher vem proporcionada de olhos grandes marcados por sobrancelhas espessas, cuja pele suavemente rosa ressalta envolvida pelo abundante cabelo preto que deixa ao descoberto uma grande pinta escura junto ao olho direito, visto na época como simbolo de “temperamento apassionado”.
A cena foi pintada supostamente durante uma viagem dos amantes a Andaluzia logo da morte do Duque e acreditasse que a paisagem ao fundo represente a planura de Salúcar onde a família da duquesa possuía grandes propriedades. A palavra “Solo” escrita sobre a areia, só foi revelada recentemente a partir de uma restauração feita a obra e se encontrava oculta até então sob vairas camadas de pintura adicionadas em anos posteriores a sua realização.

Mónica Villares Ferrer, Mestre em História da Arte.
01/06/2010.

Bibliografia
Rose-Marie e Rainer, Hagen: Los secretos de las obras de arte: Del tapiz de Bayeux a los murales de Diego Rivera. Tomo II. Singapura: TASCHEN, 2005. P. 532.

Artista

GOYA y LUCIENTES, Francisco

Data

1797

Local

New York, Hispanic Society

Medidas

120 x 149 cm

Técnica

Óleo sobre tela

Suporte

Pintura

Tema

A Figura Humana Retratos e Caricaturas

Período

SÉCULO XVIII

Index Iconografico

1700C1 - Retratos contemporâneos

Autor

Luiz Marques

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