A Virgem com o Menino Jesus

De dimensões portentosas, a obra foi feita para um comitente genovês não identificado, que a destinava à capela de seu palácio, tal como escreve Pierre Puget (1620-1694) a Luís XIV em 1681. Trata-se decerto de alguém da família Balbi, pois uma Virgem de Puget encontrava-se em seu palácio em 1717.

Um dos mais dotados escultores franceses do século XVII, além de pintor e arquiteto, Puget é um artista profundamente identificado com a arte italiana, dada inclusive a proximidade geográfica, histórica e cultural de sua cidade natal, Marselha, com a península.

Entre 1638 e 1643, faz ele uma primeira estada em Florença e em Roma, cidades nas quais trabalha provavelmente com Pietro da Cortona. Uma segunda longa estada tem lugar em 1660, desta feita em Gênova, aonde Puget ruma a princípio apenas com a missão de trazer mármores para a construção do magnífico palácio de Vaux-le-Vicomte (Seine et Marne).

Com a queda em 1661 de seu excepcional mecenas, Nicolas Fouquet (1615-1680), superintendente das finanças de Luís XIV, Puget decide permanecer na Itália, fixando-se em Roma e a partir de 1663 em Gênova, onde encontrará uma receptiva clientela no clero e no patriciado locais (Brignole, Lomellini, Balbi).

Se nas monumentais esculturas de “S. Sebastião” e do “Beato Alessandro Sauli”, em S. Maria Assunta (Gênova), Puget revela sua intenção de emular Bernini, neste grupo da Virgem com o Menino ele se mede novamente com a grande escultura barroca e, dir-se-ia, de novo, diretamente com Bernini.

A doçura da superfície e do modelado marmóreo, que nada obsta à grandeza de concepção das duas figuras, a expressão da Virgem, introspectiva e risonha, a diagonal da composição do grupo, a espiral do Menino, a exploração das pregas que descem nervosas e “maravilhosamente gráficas” (Georget) em cadências sempre mais caudalosas até cair com a profundidade de um canyon, dos joelhos aos pés da Virgem, são alguns dos elementos que fazem de Puget o Bernini francês.

Segundo Joseph Bougerel, em suas Mémoires pour servir à l´histoire de plusieurs hommes illustres de Provence (1752), o grande mestre napolitano foi um dos primeiros a reconhecer o gênio de Puget, a ponto de aconselhar Luís XIV a nomeá-lo artista régio.

A propósito ainda das relações entre Puget e Bernini, Walton aproxima a presente obra da Virgem de Saint-Joseph des Carmes, em Paris, esculpida por Giuseppe Raggi segundo um desenho de Bernini, obra que Puget poderia ter visto em 1668.

Luiz Marques
13/02/2011

Bibliografia:
1968-1969 – G. Walton, “The sculpture of Pierre Puget”. Marsyas, 14, p. 95
1995 – L. Georget, in V.A., Pierre Puget. Un artista francese e la cultura barocca a Genova., Catálogo da exposição. Marselha, p. 126.
1996 – K. Herding, Pierre Puget. The Grove Dictionary of Art, vol. 25, pp. 704-710.

Artista

PUGET, Pierre

Data

1681

Local

Gênova, Museo di Sant´Agostino

Medidas

140 x 62 x 75 cm

Técnica

Mármore

Suporte

Escultura

Tema

Bíblia e Cristianismo

Período

SÉCULO XVII

Index Iconografico

711 - A Virgem com o Menino Jesus

Autor

Luiz Marques

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