Retrato de Félix-Émile Taunay

Nicolas-Antoine Taunay (1755-1830) é conhecido como um pintor de paisagens. Em sua longa trajetória, cuja formação deu-se sobretudo na França e Itália, contam-se inúmeras pinturas de caráter arcádico, repleta de pastores em meio à natureza Paisagens urbanas de Roma e de outras cidades de caráter histórico, onde vemos, por exemplo, as investidas do general Bonaparte pela Europa.

No Brasil, Taunay pintou não só a cidade do Rio de Janeiro, como a floresta da Tijuca, região onde passou cinco anos ao lado de sua família, esperançoso por um lugar de destaque como pintor da corte dos Bragança.

Em sua extensa produção, a pintura de retratos recebe também lugar de destaque. Além de retratar a aristocracia e a realeza luso-brasileiras, pintou os membros de sua família: sua esposa, Josephine, e seus filhos, Adrien-Aimé, Félix-Émile, Charles, Hypolithe e Théodore, que para ele posam em diferentes idades. Como parte do seio íntimo da família, inclui-se o retrato da criada Jeanneton.

Na presente tela, vemos o pequeno Félix-Émile representado de corpo inteiro e elegantemente vestido, sentado na cadeira de modo mais relaxado, em um cenário repleto de atributos que se relacionam ora ao pai, ora à criança. Félix concentra-se na leitura, enquanto outros livros o esperam depositados sobre a mesa, local onde também aparecem as folhas de um caderno de desenho, possíveis exercícios ou modelos para o aprendizado do futuro artista. Abaixo, à esquerda, figuram pequenas pastas, que parecem trazer outros desenhos ou gravuras.

Como destaca Claudine Lebrun Jouve, a pintura de tema infantil remete-nos a Chardin não apenas pela temática, mas também pela simplicidade do mobiliário que se coloca ao lado da criança. No retrato de Félix Taunay, os atributos evocam, sobretudo, a educação passada de pai para filho representada pela leitura, pelos livros e pelas artes. Acima da criança, uma grande pintura mostra uma figura – possivelmente um pastor – tocando uma flauta, remetendo à formação artística do pai.

Os atributos presentes no belo retrato de Félix remetem ao autor da obra e à personalidade do pequeno. Espécie de prenúncio de sua vida adulta, a tela anuncia as características do futuro diretor da Academia Imperial de Belas Artes do Rio de Janeiro: homem erudito, herdeiro das Luzes e do neoclassicismo francês pela filiação e formação recebida do pai.

Elaine Dias
20/05/2011

Bibliografia:
2003 – C. Lebrun Jouve, Nicolas-Antoine Taunay 1755-1830. Paris: Arthena
2008 – L. Schwarcz, O Sol do Brasil. São Paulo: Cia das Letras.
2008 – L. Schwarcz, com E. Dias, Nicolas-Antoine Taunay. Uma Leitura dos Trópicos. Rio de Janeiro: Ed. Sextante

Artista

TAUNAY, Nicolas-Antoine

Data

1805c.

Local

Rio de Janeiro, Museu Nacional de Belas Artes

Medidas

31,5 X 24 cm

Técnica

Óleo sobre tela

Suporte

Pintura

Tema

A Figura Humana Retratos e Caricaturas

Período

50 - SÉCULO XIX

Index Iconografico

1700C - Retratos Pintura; 1700C1 - Retratos contemporâneos; 1566 - Vida interior e imaginário; 1568 - A escrita e leitura; 1428edu - A educação e o mundo escolar

Autor

Luiz Marques

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