Micenas, a Porta dos Leões

Dominando a planície da Argólida, no Peloponeso, aos pés dos
montes Sant´Elia e Zara, a acrópole de Micenas ocupa uma
posição estratégica, o que explica sua ocupação desde o
neolítico. Tal ocupação se intensifica a partir da Idade do
Bronze Médio ou Heládico Médio, por volta de 2000 a.C.

A civilização micênica propriamente dita nasce durante a
Idade do Bronze Recente, por volta de 1600, mas seus
primeiros documentos escritos, os tabletes de argila
escritos em “linear B” – escrita derivada da escrita
cretense dita “linear A” -, datam apenas de 1400 a.C.
(contemporâneos, portanto de finais do terceiro palácio de
Cnossos, em Creta), enquanto os últimos, encontrados em
Pilos, datam do final do século XIII a.C., quando sobrevém a
súbita destruição dessas cidades.

Graças a essa documentação, de cunho administrativo, sabe-se
que Micenas, tal como outras monarquias contemporâneas, era
uma civilização grega. Seus deuses eram já os deuses
olímpicos. Os tabletes decifrados revelam a existência de
tributos prestados a deuses cujos nomes são Zeus, Hera,
Poseidon, Hermes, Atena e Diôniso.

Revelam também que o título do rei era o mesmo mencionado
por Homero: (w)anax. Este e seu comandante em chefe –
o lawagetas – eram os únicos a possuir um
temenos, termo mais tarde ligado ao perímetro de um
santuário, mas que nos poemas homéricos ainda designa apenas
uma propriedade régia.

Após suas pesquisas na Tróade, as prospecções que Heinrich
Schliemann (1822-1890) inicia em 1874 na Argólida
(Peloponeso) e que levam às escavações de 1876 em diante –
primeiramente em Micenas, depois em Tírinto – marcam o
momento inaugural da arqueologia micênica.

A Porta dos Leões era visível, contudo, já antes das
descobertas de Schliemann e se conhecem menções a ela desde
o século XVIII. Alguns anos após a independência da Grécia,
em 1840, a Sociedade de Arqueologia Grega realiza as
primeiras liberações do vão da Porta e da corte que a
precede.

Seu relevo exibe dois leões ou leoas erguidos de cada lado
de uma coluna, a guardar a entrada principal da cidadela de
Micenas, protegida por muralhas ciclópicas de 900 metros de
comprimento, circunscrevendo um espaço grosso modo
triangular de 30.000 mts2.

A porta foi erigida quando a cidadela foi ampliada e
fortalecida por volta de 1250 a.C. (Heládico recente IIIB),
recebendo sua segunda muralha. A primeira, muito mais
restrita, datando de cerca de 1340 a.C., não incluía o
círculo das tumbas, descoberto por Schliemann. Uma terceira
e última extensão da muralha ocorreria ainda por volta de
1200 a.C.

As cabeças dos dois animais da Porta dos Leões, não mais
existentes, eram provavelmente de metal. Segundo Kostas
Papaioannou (1972), e conforme se pode deduzir de exemplos
tomados da glíptica minuana, esse relevo simboliza a deusa
“Senhora das Feras”, a qual recebe, aqui, pela primeira vez,
um tratamento escultórico monumental.

Cette entrée, escreve Charles Picard (p. 112),
près de laquelle le Précepteur de l´Électre sophocléenne
arrête Oreste pour lui montrer le paysage d´Argos et le
palais sanglant des Pélopides, serait digne de servir de
frontispice, de porte d´honneur, à la plastique grecque
monumentale
.

Luiz Marques
05/01/2012

Bibliografia:
1935 – Ch. Picard, Manuel d´archéologie grecque, Paris.
1972 – K. Papaioannou, L´Art Grec. Paris: Lucien Mazenod,
pp. 36-39.
1977 – R. Laffineur, “Un siècle de fouilles à Mycènes”.
Revue belge de philologie et d´histoire, 55, 1, pp. 5-20.

Artista

Anônimo

Data

-1250/ 1200 a.C.

Local

Micenas, Argólida (Peloponeso)

Medidas

desconhecidas

Técnica

Pedra

Suporte

Arquitetura e Monumentos

Tema

Mitologia, História e Topografia Antigas

Período

13 - ARTE DAS CÍCLADES, MINÓICA E MICÊNICA

Index Iconografico

201 - Topografia e Monumentos da Grécia inclusive do período
romano; 203 - Topografia e Monumentos de outras cidades
gregas; 203A - Grécia Peninsular

Autor

Luiz Marques

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