Amazonomaquia

“Registro inventarial: inv. 73.15.18

O lado A, aqui visível, desta ânfora de figuras vermelhas
representa uma Amazonomaquia, a guerra entre os habitantes
da Ática, liderados por Héracles e Teseu, contra as
Amazonas, tema frequentemente representado na arte grega do
século V, em parte por remeter à ideia de vitória de Atenas
contra os Persas e, em geral, contra os bárbaros invasores.

Fídias representou uma Amazonomaquia sobre o escudo de Atena
Parthenos, a celebérrima estátua da deusa no
Parthenon, conhecida por diversas cópias, e Mikon
pintou uma versão dessa cena na Stoa Poikile (Pórtico
pintado) na Ágora de Atenas.

Esta ânfora figura Teseu combatendo uma Amazona, secundado
por Antíope, a esposa Amazona cuja extrema beleza levara-o a
raptá-la de seu reino, ato que justamente teria desencadeado
a guerra das Amazonas contra os gregos. Antíope luta a seu
lado até cair sob os golpes de Molpadia, na batalha de
Pnyx, uma colina dentro das muralhas de Atenas, no dia do
Festival de Beodrômia.

As fontes textuais conhecidas deste mito foram recolhidas na
“”Vida de Teseu”” (XXXI-XXXVI) de Plutarco (início do século
II) e na “”Epítome”” do Pseudo-Apolodoro (século III). Segundo
este último:

“”Teseu combateu junto com Heracles contra as Amazonas e
raptou Antíope; segundo alguns, entretanto, tratava-se de
Melânipe e segundo Simônides era Hipólita. Por esta razão,
as Amazonas marcharam contra Atenas. Teseu, junto com os
Atenienses, derrotou-as na batalha do Areópago. Da Amazona
Teseu teve um filho, Hipólito””.

De seu lado, Plutarco escreve:

“”Quanto à viagem que ele [Teseu] fez ao Mar Maior [Pontus
Euxinus, i.e., Mar Negro], Filócoros e alguns outros mantêm
que a fez em companhia de Héracles na guerra contra as
Amazonas, e que para honrar sua virtude, Héracles lhe dera
Antíope. Mas a maior parte dos outros historiadores, tais
como Helânicos, Ferecides e Heródoto, escrevem que Teseu
viajou independentemente de Héracles, e após ele, e que
raptou Etíope. O que é mais verossímil (…) e isto também o
diz o historiador Bion, que ele a raptou, enganando-a e de
surpresa””.

Não se conhecem as fontes literárias anteriores às diversas
representações figurativas da Amazonomaquia no século V.
Contrariamente ao que afirma Plutarco, no texto conservado
da “”História”” de Heródoto não há referência a este episódio.

Além dos autores acima citados (Filócoros, Helânicos,
Ferecides e Bion) cujas obras não se conservaram, Plutarco
refere-se a outras fontes textuais da participação de Teseu
na Amazonomaquia, dentre os quais, Menecrates, Clidemus e o
poema “”Teseida””, pertencente ao chamado ciclo épíco, no qual
se narra que a Amazonomaquia origina-se, não do rapto, mas
do repúdio de Antíope por Teseu, para se casar com Fedra. Os
fragmentos deste e de outros poemas homônimos (um deles
romano, satirizado por Juvenal) foram modernamente
recolhidos por Eduardus Prigge em seu Thesei Rebus Gestis
Quaestionum Capita Duo
(1891).

Segundo Gisela Richter, Polygnotos a quem se atribuem 64
vasos, em geral grandes stamnoi, crateras e ânforas,
é o mais importante representante de um ateliê que floresce
em Atenas, ao lado do Pintor de Aquiles, entre 450 e 425
a.C. Sua assinatura Polygnotos egrapsen preserva-se
em quatro vasos, um deles com outra Amazonomaquia, hoje no
Museu de Siracusa.

Discípulo do Pintor de Nióbide, Polygnotos deriva seu nome
de Polygnotos de Thasos. Outros dois homônimos de nosso
Polygnotos são o assim chamados Pintor de Lewis e o Pintor
de Nausikaa.

A cena representada nesta ânfora por Polygnotos ecoa
provavelmente pinturas murais de Mikon ou de Polygnotos de
Thasos. Contrariamente ao Pintor de Aquiles, que possui uma
linguagem mais puramente linear, Polygnotos mimetiza a
pintura mural e faz suas figuras parecerem mais robustas e
volumétricas, em evidente referência a seus modelos
monumentais.

Luiz Marques
13/02/2012

Bibliografia:
1946 – G. M. Richter, Attic Red-figured Vases. A Survey.
Yale University Press, Revised Edition, 1958, pp. 127-128.
1951 – Plutarco, Les Vies des Hommes Illustres, trad. de
Jacques Amyot. Texto estabelecido e anotado por Gerard
Walter. Paris: Gallimard, Bibliothèque de la Pleiade, pp.
25-29.
1996 – Apolodoro, Epítome da Biblioteca de Apolodoro
composta pela Epítome Vaticana e pelos Fragmentos
Sabbaiticos. I miti greci (Biblioteca),
ed. P. Scarpi, Milão: Mondadori, Fondazione Lorenzo Valla,
p. 313.
1996 – N. Coldstream, Polygnotos Painter. The Grove
Dictionary of Art, vol. 32, ad vocem.
2005 – S. Rozenberg (col.), The Israel Museum Jerusalem, p.
296.”

Artista

Polygnotos

Data

-440circa a.C.

Local

Jerusalém, Israel Museum

Medidas

50,5 cm

Técnica

Cerâmica

Suporte

Pintura

Tema

Mitologia, História e Topografia Antigas

Período

ARTE GRECO-ROMANA

Index Iconografico

12Mar2 - Amazonomaquias; 71F - Teseu; 12JupxAnt - Zeus
Júpiter e Antíope

Autor

Luiz Marques

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