Autorretrato como soldado (frente)

A obra é assinada e datada: “Dix 14”.

A cabeça projeta-se para o lado em um espaço rasgado pela
violência das cores. O crânio calvo, os traços negroides, a
musculatura hercúlea do pescoço, mas sobretudo o olhar
ameaçador de animal acuado, tudo concorre para fazer desse
autorretrato a obra-prima de Dix como senhor da guerra.

Acima de todos os artistas de sua geração, Otto Dix (1891-
1969) é, de fato, aquele cujo furor criativo mais
intimamente se nutriu da guerra. Alistando-se como
voluntário, é enviado em combate em 1915 ao front da
Champagne, onde lutou nos enfrentamentos mortíferos do
outono e nas guerras de trincheiras do inverno, durante as
quais perecem quase 600.000 mil homens.

Em novembro, é nomeado sub-oficial e condecorado com a Cruz
de Ferro de segunda classe. Em 1916, toma parte na
resistência à terrível ofensiva anglo-francesa do rio Somme,
em que morrem 470.000 homens. Em novembro de 1917, luta no
front russo e em fevereiro de 1918 na Flandres.

Entre 1915 e 1918, Dix executa, entre um combate e outro,
por volta de 600 desenhos e aguadas sobre a guerra que ele
vive em primeira pessoa, conjunto no qual o autorretrato
ocupa posição relevante.

Ele continuará a se ocupar desta experiência em diversas
obras fundamentais ao longo dos anos 1920, a mais famosa das
quais sendo a série de 50 águas-fortes intitulada “A
Guerra”, justamente comparada por Norbert Wolf com Los
desastres de la guerra
de Goya.

Suas reflexões a respeito da guerra são sem dúvida
representativas da atitude de muitos artistas e intelectuais
de sua geração, ao mesmo tempo horrorizados e embriagados
pela tentação do salto no extremo, capaz de redimi-los da
sensação de amesquinhamento produzida pela “segurança” da
pax burguesa.

Profeta dessa percepção será, antes mesmo de Nietzsche,
Jacob Burckhardt, que em seus cursos de 1868-1873 na
Universidade de Basileia, postumamente publicados com o
título de Weltgeschichtliche Betrachtungen, escreve:

“Toda nossa moral atual é substancialmente orientada em
função da segurança. E o que o Estado não pode garantir,
garante-o o seguro. Não apenas a existência de um indivíduo
ou a sua renda tornaram-se preciosas, mas se ele negligencia
fazer seguro delas incorre até mesmo na censura geral. Tal
segurança faltou a épocas passadas, das quais, entretanto,
irradia esplendor”.

É preciso pa

Artista

DIX, Otto

Data

1914

Local

Stuttgart, Städtische Galerie

Medidas

68 x 53,5 cm

Técnica

Óleo sobre papel

Suporte

Pintura

Tema

História Medieval Moderna e Contemporânea

Período

SÉCULO XX

Index Iconografico

1700C - Retratos Pintura; 1700C3 - Artistas e Autorretratos;
872 - Batalhas e Guerras Nacionais na Europa; 872.1914 - A
Primeira Guerra Mundial; 1100Gue - A Guerra e os Horrores da
Guerra

Autor

Luiz Marques

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