Jan Rijcksen e sua esposa, Griet Jans (O Construtor de Navios e sua esposa)

Registro inventarial: inv. RCIN 405533

O sobrenome Van Rijn significa “do Reno”. Um dos braços
menores deste rio banha a cidade natal de Rembrandt (1606-
1669), Leyden, onde o pai possuía dois moinhos de vento.

Sua educação, condizente com sua condição social, leva-o à
Universidade de Leyden, que, com o consenso do pai, ele
abandona para dedicar-se à pintura. Sua formação como pintor
dá-se com dois artistas de Leyden, com profundas conexões
com a Itália. O primeiro é o filho do pintor Isaak Claesz
Swanenburgh, Jacob Isaaks (1571-1638), paisagista e
retratista que, nos cruciais anos caravaggescos de 1605 a
1617, vivera em Veneza, Nápoles e em Roma.

O segundo é Jan Pynas (1583-1631c.), introdutor em Leyden de
obras de Orazio Gentileschi e de Carlo Saraceni, e elo de
mediação entre o grande mestre veneziano e as primeiras
obras de Rembrandt, nas quais se discerne ainda um eco da
delicadeza fisionômica e das cabeças miúdas e arredondadas
de Saraceni.

O italianismo juvenil de Rembrandt é ainda mais tributário
de uma estada em Amsterdam, em 1624, no ateliê de outro
mestre não menos atualizado com as novidades romanas, Pieter
Lastman (1583-1633), documentado nas imediações de via
Margutta, rua dos artistas estrangeiros em Roma, entre 1603
e 1607.

Em 1631, Rembrandt instala-se sozinho em Amsterdam, atraído
pelo potencial do grande centro holandês, especialmente no
âmbito da retratística e no do mercado de arte, onde o
artista passa a atuar em sociedade com seu futuro sogro,
Hendrick van Uylenburch.

Os anos 1632-1642 serão os de seu apogeu financeiro e os do
ápice de seu magnetismo artístico. Seu prestígio atrai um
enxame de clientes e jovens pintores, sobretudo após as
proezas que são a Lição de Anatomia do Dr. Nicolas
Tulp
(Haia, Mauritshuis), de 1632, e este duplo retrato
de Jan Rijcksen e Griet Jans, pertencente a uma série de
retratos de casais, ou de famílias, representados em poses
solenes ou em flagrantes da vida doméstica, que o artista
pinta nos anos 1630, núcleo inicial do gênero “conversation
piece”, que, da Holanda, difunde-se por toda a pintura
européia dos séculos XVII e XVIII.

Rembrandt é o novo Lastman, falecido em 1633, e a afluência
de clientes e discípulos em seu ateliê leva-o a transferi-lo
para um dos maiores ateliês do século XVII, uma palácio de
quatro andares na Joden-Breestraat. A exuberância de seu
comportamento e suas extravagâncias como colecionista chocam
a cidade e criam um anedotário que sobrevive à ruína
subsequente e à morte do pintor, chegando mesmo aos ouvidos
do historiador Filippo Baldinucci, em Florença (1681).

Uma gravura executada em 1800 a partir da obra por J. De
Frey (Dutuit, n. 16) mostra que a tela foi amputada na parte
superior, gerando a falsa impressão de uma “close up” do
casal.

Luiz Marques
15/12/2011

Bibliografia:
1947 – L. Münz, “The Original Shape of Rembrandt´s
Shipbuilder and His Wife”. The Burlington Magazine, 89, 534
Setembro, pp. 251-254.
1982 – D.R. Smith, “Rembrandt´s Early Double Portraits and
the Dutch Conversation Piece”, Art Bulletin, 64, 2, junho,
pp. 259-288.

Artista

REMBRANDT van Rijn

Data

1633

Local

Londres, Buckingham Palace

Medidas

114.3 x 168.6 cm

Técnica

Óleo sobre tela

Suporte

Pintura

Tema

A Figura Humana Retratos e Caricaturas

Período

SÉCULO XVII

Index Iconografico

1700C - Retratos Pintura; 1700C1 - Retratos Contemporâneos

Autor

Luiz Marques

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