Toteninsel (A ilha dos mortos)

Pintada em Florença, a obra é a primeira de uma série de cinco versões do mesmo tema, que Arnold Böcklin (1827-1901) chamava “ilha silenciosa” e “ilha das tumbas” (Die Gräberinsel), sendo o marchand Fritz Gurlitt, comitente da terceira versão em 1883, que a batiza de Toteninsel.

A segunda versão encontra-se no Metropolitan Museum de New York (1880), a terceira (1883) na Alte Nationalgalerie de Berlim, a quarta (1884), outrora na coleção Heinrich Thyssen, foi destruída na II Grande Guerra; a última, de 1886, foi encomendada pelo Museum der Bildenden Kunst de Leipzig, que ainda a exibe.

Em 1880, Marie Berna, viúva do banqueiro Georg von Berna, visita o ateliê de Böcklin, onde vê a presente obra ainda in fieri destinada a Alexander Günther. Impressionada, pede-lhe “um quadro para sonhar…”. Böcklin pinta-lhe uma versão menor deste quadro, sobre madeira – trata-se da versão do Metropolitan Museum – e a envia com uma carta datada de 29 de abril de 1880, na qual afirma: “A Senhora poderá, sonhando, adentrar o obscuro mundo das sombras, até que lhe pareça perceber a ligeira brisa que encrespa o mar, e terá receio de perturbar o solene silêncio com uma palavra emitida em voz alta…”. Como nota Nuzzi, o artista retoma aqui sua ideia de um íntimo vínculo entre beleza e dissolução.

Aparentemente, Böcklin toma por modelo de sua paisagem a que lhe oferecia o Camposanto degli Svizzeri na Piazza Donatello, em Florença, onde, 3 anos antes da criação do quadro, tinha ele enterrado sua filha, morta antes de completar um ano.

Poucas obras gozaram de tão entusiástica recepção no mundo germânico e mesmo fora dele, notadamente de parte de artistas bem informados sobre a arte alemã de finais do século, como De Chirico e Dali, que dela executaram conhecidas cópias.

Mas sua imensa divulgação deve-se às gravuras de Max Klinger, por encomenda de Gurlitt em Berlim, que adornavam os estúdios de personagens tão diversas quanto Lenin, Freud e Clemenceau. Com as reproduções fotográficas em escala industrial, a imagem inundará os lares de classe média alemães, convertendo-se em um dos primeiros fenômenos de massificação e de kitsch, favorecido pelo fato de que Hitler adquire em 1933 a versão Gurlitt da obra (1883), vindo a exibi-la após 1940 na Chancelaria do Reich, como exemplar de uma arte germânica genuína ou “não-degenerada”.

É justamente porque as diversas versões da “Ilha dos Mortos” foram capazes de condensar o mundo de Böcklin nos anos 1880 – anos decisivos por pr

Artista

BÖCKLIN, Arnold

Data

1880

Local

Basileia, Kunstmuseum

Medidas

111 x 115 cm

Técnica

Óleo sobre tela

Suporte

Pintura

Tema

Alegorias e Temas Artísticos Morais e Psicológicos

Período

50 - SÉCULO XIX

Index Iconografico

450 - Representações da Anima e da Vida post-mortem; 1188 - A Morte ; 448 - O Hades, as Regiões Infernais e as representações mitológicas do Além-Túmulo; 454 - Entidades e Simbologias Funerárias

Autor

Luiz Marques

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