Francesco Maria II della Rovere

Filho de Guidobaldo II della Rovere e de Vittoria Farnese, Princesa de Parma, Francesco Maria II della Rovere (1549-1631) foi educado entre 1565 e 1568 na corte de Felipe II de Espanha, tornando-se em 1574 o último duque de Urbino.

De sua primeira esposa, Lucrezia d´Este, filha de Ercole II d´Este, Francesco não teve descendência. Viuvo em 1599, casa-se com a prima, Livia della Rovere, de quem tem em 1605 um muito desejado herdeiro, Federico Ubaldo, morto contudo em 1621 de um ataque de epilepsia. Com a morte de Francesco Maria II sem herdeiro masculino vivo, o ducado passará para o Estado Pontifício, sob domínio do Cardeal Antonio Barberini, irmão de Urbano VIII. A presença do retrato nos Uffizi explica-se pelo fato de que a filha do duque, Vittoria Della Rovere, desposará Ferdinando II, Granduque de Toscana.

Trata-se do primeiro retrato conservado de grande relevância de Federico Barocci (1528-1612). Representando o condottiere aos 22 anos, é possivelmente comemorativo de sua ativa participação na Batalha de Lepanto (1571), de onde talvez o notável investimento do artista na armadura de aparato do futuro duque, em um sinfônico diálogo entre dourado e prateado, com infiltrações de vermelho no braço e nos quadris. O vermelho triunfa na écharpe, mas é aqui a vez do ouro de nela entremear-se em pequenas cascatas.

O retrato filia-se ostensivamente ao de seu avô, Francesco Maria I della Rovere (1490-1538), pintado por Tiziano* em 1536-1538, também nos Uffizi. Barocci observa o mesmo recorte da figura um pouco abaixo dos quadris e a escorça exatamente na mesma angulação, projetando num gesto imperioso o braço direito até o plano da superfície da tela, enquanto o esquerdo flexiona-se e afunda de modo um pouco impreciso nos planos mais recuados da composição. Da mesma maneira também que no retrato de Tiziano, os vermelhos assumem valor de contraponto em relação às superfícies metálicas.

Em Barocci, contudo, tudo é concebido de modo menos contrastado, prevalecendo aqui uma coloração geral mais aquecida e suave. Mais suave sobretudo é o semblante do jovem que, ao contrário do rosto petrificado do avô, fita o espectador com olhos que concedem aproximação e mesmo empatia.

Além de propor uma delicada transição entre o metal, o sfumato da barba e as acesas carnações do rosto, a golilla sugere um compromisso entre o condottiere e o fidalgo, de maneira a “desmarcializar” o aspecto geral do retratado. Barocci elabora nesta obra uma perfeita síntese entre o legado da retratística italiana e a nova, ainda que efêmera, hegemonia cultural da sociedade de corte espanhola.

Luiz Marques
12/10/2010

Bibliografia
1962 – H. OLSEN, Federico Barocci, Copenhagen p. 136, n. 23
1985 – A. EMILIANI, Federico Barocci,vol. I, pp. 86-87
2000 – N. TURNER, Federico Barocci, p. 5-

Artista

BAROCCI, Federico Fiori

Data

1571/ 1572

Local

Florença, Galleria degli Uffizi

Medidas

113 x 93 cm

Técnica

Óleo sobre tela

Suporte

Pintura

Tema

A Figura Humana Retratos e Caricaturas

Período

36 - SÉCULO XVI

Index Iconografico

1700C1 - Retratos contemporâneos

Autor

Luiz Marques

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