Le Théâtre de la Folie

Registro inventarial: inv. n. 2147

Em sua trajetória como pintor de paisagem, Nicolas-Antoine Taunay dedicou-se a temas diversos. Da paisagem francesa à italiana, das cópias de artistas holandeses como Nicolaes Pietersz Berchem ou das cenas arcádicas e pastoris, Taunay mostrou-se um pintor versátil em sua formação em Paris e em Roma.

Uma das últimas etapas deste caminho, mostrava a aproximação de Taunay à natureza brasileira e a vontade de estabelecer um tênue limite entre o arcadismo da luz e uma certa inclinação à paisagem romântica. Neste processo de aprendizado e conhecimento, Taunay tratava ainda de mostrar em sua pintura o espírito de seu tempo, isto é, os eventos desencadeados pelos ideólogos das Luzes, do qual era adepto.

Uma das telas que abordam os contemporâneos conceitos de liberdade e igualdade é O Teatro da Loucura, realizada também em outra versão, conservada no Musée des Beaux-Arts de Reims.

Taunay estabelece ainda um estreito laço com a representação, em pintura, das peças encenadas ao ar livre, sobretudo aquelas tão bem tomadas pelos pincéis de Antoine Watteau. Mas se em Watteau as Fêtes Galantes mostravam o luxo e a alegria do século XVIII, ou a ingenuidade e o fracasso da alegórica figura de Gilles, em Taunay há algo mais próximo de uma política iluminista e propagandística.

Na tela, o artista alude a uma peça recente de Alissan de Chazet et Léger (com música de Solié) intitulada Plutarco, encenada na Opéra Comique em 22 de dezembro de 1801 e pinta a Loucura que escreve, diante do público, as Vidas dos Homens Ilustres, ditado pelo Arlequim.

Duas placas situadas acima do palco e do lado direito identificam a cena: Théâtre de la Folie. A referência irônica a Plutarco sugere o exemplo da educação através da virtude dos grandes homens, tema explorado em sua obra e por toda uma geração de artistas e intelectuais entre o final do XVIII e a primeira metade do século XIX.

Diante das simples arquiteturas e do improvisado palco que se coloca no ambiente público e igualitário da rua, uma pequena multidão assiste à encenação da peça. Há pessoas de todos os níveis sociais, desde as elegantemente vestidas às mais simples ou semidespidas, descalças ou com seus afazeres domésticos, montadas em seus cavalos ou brincando com seus cachorros.

A caracterização destas cenas confirma a predileção de Taunay pela intimidade da cena de gênero, associada aos ideais de Diderot e de Rousseau. Todos param para ver a peça, como se fossem autorizados pela placa colocada acima da porta: Il y a place pour tout le monde (Há lugar para todo o mundo). Considerado por muitos o “La Fontaine de la peinture”, o caráter educativo de sua pintura é notadamente presente.

Elaine Dias
20/05/2011

Bibliografia:
2003 – C. Lebrun Jouve, Nicolas-Antoine Taunay 1755-1830. Paris: Arthena, p. 237
2008 – L. Schwarcz, com E. Dias, Nicolas-Antoine Taunay. Uma Leitura dos Trópicos. Rio de Janeiro: Ed. Sextante

Artista

TAUNAY, Nicolas-Antoine

Data

1805/ 1810c.

Local

Rio de Janeiro, Museu Nacional de Belas Artes

Medidas

31 x 39 cm

Técnica

Óleo sobre tela

Suporte

Pintura

Tema

Vida Social e Gênero

Período

50 - SÉCULO XIX

Index Iconografico

1336 - O Lazer Urbano (Espetáculos populares, a pantomima, o circo)

Autor

Luiz Marques

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