Independência ou Morte! Detalhe

(continuação do texto que acompanha a imagem principal)

A partir da ação heroica de D. Pedro I, descrita por Belchior e valorizando a imagem do pai de Pedro II como líder da Nação, o quadro de Pedro Américo visava contribuir para a estabilização da imagem de um império em crise, às vésperas de sua extinção.

A composição apresenta uma organização geométrica, marcada por dois grandes semicírculos que evoluem do centro da tela, para a direita e para a esquerda, em direção à base da pintura. Ao longo desses semicírculos se dá a distribuição das figuras e demais elementos da narrativa.

Deslocado ligeiramente para a esquerda, em segundo plano, vemos D. Pedro I, levantando a espada, seguido por cavaleiros de seu séquito, que saúdam o gesto simbólico, acenando com chapéus e lenços.

Ao longo do semicírculo à esquerda, vemos um caipira deter-se com seu carro de boi para observar a cena histórica que toma lugar no ponto mais alto da colina. Ele é a figura de identificação do observador, tanto por sua posição, quanto por seu tamanho e proximidade. Através de seus olhos, participamos do momento representado. É ele que determina o ponto de vista do observador.

O artista apresenta D. Pedro I como um estadista que não mede o custo dos sacrifícios necessários para a realização de seu ideal, elevando-o acima da posição dos homens comuns. A associação com Napoleão é evidente, o que se confirma também pela semelhança da composição de “Independência ou Morte!” com a versão da “Batalha de Friedland” pintada por Ernst Meissonier, hoje no Matropolitan Museum de Nova York.

A representação da grandeza de D. Pedro I expressa-se na obra através do desnível (real e simbólico) criado pelo artista entre a figura de identificação e o príncipe, mas principalmente pela estrutura narrativa da composição.

Frente a frente com D. Pedro I, pouco acima do riacho, encontramos um cavaleiro da sua Guarda de Honra, que, dando as costas ao espectador, responde ao brado do Príncipe arrancando de sua farda o laço vermelho e azul que simbolizava a união entre o Brasil e a metrópole.

O eixo formado por essas duas figuras constitui o núcleo discursivo a partir do qual a temática se desenvolve no quadro. À direita, vemos a guarda de D. Pedro, que, tomada de surpresa pela chegada inesperada do príncipe, procura rapidamente montar seus cavalos e entrar em formação. Pedro Américo imprimiu grande movimento à massa de figuras que compõem esta metade da tela, caracterizando a ansiedade e a tensão que precedera

Artista

Pedro Américo de Figueiredo e Melo

Data

1885

Local

São Paulo, Museu Paulista da USP

Medidas

720 x 415 cm

Técnica

Óleo sobre tela

Suporte

Pintura

Tema

História Medieval Moderna e Contemporânea

Período

O SÉCULO XIX NA AMÉRICA HISPÂNICA E NO BRASIL (A PARTIR DE 1822)

Index Iconografico

878 - A Independência das Colônias Séculos XVIII-XX; 878.1822 - Brasil

Autor

Luiz Marques

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