Eos perseguindo Títonos

Registro inventarial: inv. G 438

Este oenochoe (jarro de vinho) com figuras vermelhas
provém de Vulci, cidade etrusca da região de Viterbo
(Lácio), na Itália, e é obra de um dos mais extraordinários
pintores áticos de meados do século V a.C., o Pintor de
Aquiles.

Na Theogonia, 374, Hesíodo narra que da união de
Hipêrion, um Titã (filho de Uranos e Gaia), com sua irmã,
Teia, nasceram Hélios, Selene e Eos, divindades astrais,
regentes do tempo. O mesmo se lê em Pseudo-Apolodoro,
Biblioteca, I,2,2. Eos é a personificação da Aurora,
“dos dedos de rosa”, tal como a canta o epíteto homérico,
que anuncia a chegada do dia e abre as portas para o carro
de seu irmão, Hélios.

Divindade fecunda, Eos tem uma aventura amorosa com Ares, em
decorrência da qual Afrodite vinga-se, condenando-a a ser
eternamente enamorada. Eos infanta com Astreo, os ventos
Zéfiro, Boreia e Notos, além do astro da manhã, o planeta
Vênus. Dentre seus amantes, contam-se os caçadores da manhã,
que ela rapta, tais como Orion, Céfalo e Títonos, filho de
Laômedon e irmão mais velho de Príamo, rei de Troia.

Títonos, jovem de grande beleza, é aqui representado não
como caçador, mas como epodo, com sua lira, tentando se
subtrair à perseguição de Eos. Levando-o à Etiópia, Eos tem
com ele dois filhos, tal como narra Hesíodo (Theog.,
985): “Memnon, o rei da Etiópia, de elmo brônzeo, e
Emácion”. O relato é reiterado pelo Pseudo-Apolodoro
(Biblioteca, III,12,147): “Por amor, Eos raptou
Títonos, levou-o à Etiópia e unindo-se a ele gera dois
filhos: Emácion e Memnon”. Memnon lutará sucessivamente ao
lado dos troianos e será morto por Aquiles, batalha
representada por vezes na forma de uma Psychostasia*
(pesagem das almas por Zeus ou Hermes)

Eos obterá para Títonos a imortalidade, mas não a eterna
juventude. Ao final de seu extremo envelhecimento, ela o
transformará em uma cigarra, de onde talvez seu atributo
ser, aqui, uma lira.

O Pintor de Aquiles, artista ático muito prolífico, ativo em
Atenas entre 475 e 425 a.C., recebe seu nome de uma ânfora
de figuras vermelhas representando este herói, conservada no
Vaticano, Museo Gregoriano Etrusco. Outrora confundido por
Beazley (1914) com o Pintor de Meletos, o Pintor de Aquiles
parece ser um discípulo do Pintor de Berlim e neste vaso
mostraria grande similaridade com ele, inclusive no que se
refere à preferência temática do mestre, divindades
perseguindo seus amantes.

Trata-se, como comumente considerado, do “mais importante e
influente pintor de vasos do período clássico e um dos
melhores desenhistas da Antiguidade” (Oakley). Trata-se
acima de tudo de um excepcional pintor de lekythoi
sobre fundo branco, vasos recipientes de óleos preciosos
colocados junto às tumbas com a finalidade de homenagear o
defunto.

Luiz Marques
21/07/2011

Bibliografia:
1914 – J.D. Beazley, “The Master of the Achilles Amphora in
the Vatican”. Journal of Hellenic Studies, pp. 179-236.
1996 – J.H. Oakley, “The Achilles Painter”. The Grove
Dictionary of Art, vol. 32, ad vocem.
2000 – A. Caubet, P. Pouysségur, L. A. Prat, L´Empire du
Temps. Mythes et créations. Catálogo da exposição, Paris,
Louvre, p. 56.

Artista

Pintor de Aquiles (Achilles Painter)

Data

-475- 450 a.C.

Local

Paris, musée du Louvre

Medidas

22 x 13,5 cm

Técnica

Cerâmica

Suporte

Pintura

Tema

Mitologia, História e Topografia Antigas

Período

ARTE GRECO-ROMANA

Index Iconografico

11Eos - Eos, Aurora; 11Eost - Eos, Aurora e Títonos

Autor

Luiz Marques

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