Senzala de fazenda fluminense (imagem 2: detalhe)

“(continuação do texto que acompanha a imagem principal)

As litografias do “”Brasil Pitoresco”” foram muito reproduzidas em livros didáticos e em manuais de história, durante o século XX. Elas precisam ser compreendidas, entretanto, dentro de um projeto editorial que associava as imagens ao texto de Ribeyrolles.

O historiador Afonso E. Taunay, no prefácio à edição de 1941 e à reimpressão de 1980, traz um comentário de Francisco Ramos Paz, integrante da equipe de tradutores do livro em 1859: “”Ao compor o seu livro achava-se Ribeyrolles muito desambientado. Suas notas de viagem ressentem, a cada passo, da falta de contato íntimo entre o seu autor e as populações por ele visitadas””.

Segundo os periódicos da época, Ribeyrolles permaneceu no Brasil por dezesseis meses, e procurou conhecer a história e a sociedade locais por meio de obras de cronistas e viajantes, que consultou em arquivos no Rio de Janeiro.

Em conseqüência de sua curta permanência no Brasil, seu relato apresenta, por vezes, informações imprecisas. Porém, o texto é fundamental para o conhecimento sobre a sociedade do período, principalmente por seu caráter abolicionista e liberal, e foi citado em estudos sobre a cultura e a sociedade do período, como, por exemplo, na pesquisa realizada pelo historiador Robert Slenes que, ao analisar as habitações dos escravos, destacou a importância do trabalho de Frond pelo registro de alguns tipos de senzala, como a senzala-pavilhão e a de “”compartimentos conjugados”” (SLENES, 1999: 149-158).

26/07/2011
Maria Antonia Couto

Bibliografia:
1941 – A. E. Taunay. “”Prefácio””. In C. Ribeyrolles; Frond, V. Brasil Pitoresco. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: EDUSP, [1859-1861], 1980.
1980 – C. Ribeyrolles; Frond, V. Brasil Pitoresco. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: EDUSP, [1859-1861].
1997 – L. F. de ALENCASTRO; F. Novais (org.). História da vida privada no Brasil. Volume 2: Império: a corte e a modernidade nacional. São Paulo : Cia das Letras.
1999 – R. W. Slenes. Na senzala, uma flor: esperanças e recordações na formação da família escrava – Brasil Sudeste, século XIX. Rio de Janeiro : Nova Fronteira.
2011 – M. A. Couto da Silva. Um monumento ao Brasil: considerações acerca da recepção do livro Brasil Pitoresco, de Victor Frond e Charles Ribeyrolles (1859-1861). Tese (Doutorado em História da Arte) – UNICAMP, (Prof. Dra. Claudia Valladão de Mattos), Campinas, IFCH-UNICAMP.

Artista

FROND, V. (fotografia); BENOIST, Ph. (litografia)

Data

1861

Local

Brasil, várias coleções.

Medidas

desconhecidas

Técnica

Litografia

Suporte

Pintura

Tema

Vida Social e Gênero

Período

O SÉCULO XIX NA AMÉRICA HISPÂNICA E NO BRASIL (A PARTIR DE 1822)

Index Iconografico

1546 - A Escravidão Negra; 1548 - O Escravo e a Escravidão; 882 - Brasil Império;
882.1840 - Segundo Reinado

Autor

Maria Antonia Couto

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