Sagrada Família com S. João Batista Menino

Polidoro Caldara (1499c.-1543), chamado Polidoro da
Caravaggio, é um dos mais notáveis artistas que integram as
equipes encarregadas das decorações do Palácio Vaticano a
partir sobretudo de 1514, quando Rafael, morto Bramante,
assume projetos arquitetônicos e delega progressivamente a
seus discípulos a execução da Stanza dell´Incendio del
Borgo
, da Sala de Constantino, das Logge de Leão
X (1517-1518) e da Loggetta do Cardeal Bernardo
Dovizi da Bibbiena. Nas Logge, atribuem-se em geral a
Polidoro as cenas de “José vendido por seus irmãos” e da
“Travessia do Jordão”.

Ao lado de Maturino da Firenze, que Vasari, em sua “Vida” de
ambos os artistas, menciona como companheiros inseparáveis,
Polidoro afirma-se no cenário romano do terceiro decênio
também pela decoração em chiaroscuro de frisas
panorâmicas de numerosas fachadas dos palácios romanos,
prática na qual foram precedidos por Baldassare Peruzzi.

Vasari afirma que ambos os pintores decoraram “infinite”
dessas fachadas “per tutta Roma”, com temas no mais das
vezes mitológicos e de história romana, inspirados no
repertório de estátuas, relevos e pinturas (chamadas
grotescas) da arte romana antiga. Algumas delas são, ou eram
ainda recentemente, visíveis, embora muito retocadas, sendo
as mais célebres as dos palácios Barberini, Braschi, Milesi
e Ricci.

A par dessa atividade, Polidoro executa por volta de 1525
dois afrescos na capela de Fra Mariano em S. Silvestro al
Quirinale, obras que revelam esplêndida sensibilidade
paisagística.

Sua sucessiva atividade em Nápoles, para onde ruma fugindo
ao Saque de Roma de 1527, inclui fachadas do mesmo tipo (não
conservadas) e uma obra excepcional: o grande retábulo com
“S. Pedro e S. Paulo e as Almas do Purgatório”, hoje no
Museo di Capodimonte. A partir de 1528, Polidoro estabelece-
se definitivamente em Messina, onde pinta antes de 1534 a
“Subida ao Calvário”, mencionada por Vasari como sua última
obra, e onde morre em 1543, assassinado por um servo.

No conjunto da obra de Polidoro, ressalta sua gráfica, uma
das mais belas e expressivas do século XVI, como bem
demonstra o presente desenho, recentemente ingresso nas
coleções dos Museus de Lille. Trata-se de obra juvenil,
datada por Pierluigi Leone de Castris entre 1525 e 1527, e
na qual se acusam ainda nítidas reminiscências de Rafael e
de Rosso.

De seu lado, Dominique Cordellier afirma que “o estilo do
desenho dá testemunho do momento em que Polidoro da
Caravaggio, desvinculando-se do ascendente de Rafael (ainda
visível no detalhe do Menino), combina seu próprio tipo de
naturalismo com as proporções exageradas das figuras e a
acuidade expressiva que ele extrai da maniera de
Michelangelo e de Rosso”. Ambos os estudiosos remetem a
composição aos afrescos triangulares de Michelangelo na
abóbada da Capela Sistina, em especial ao grupo situado
entre a Sibila Eritreia e o Profeta Ezequiel.

Luiz Marques
16/10/2011

Bibliografia:
1987 – J.A. Gere, Drawings by Raphael and his Circle from
British and North American Collections. Catálogo da
exposição. New York, The Pierpont Morgan Library, n. 85.
1992 – D. Gallavotti Cavallero, “Polidoro da Caravaggio e
gli affreschi nella chiesa di San Silvestro al Quirinale”
L´Arte a Roma nel secolo XVI. Bolonha: Cappelli Editore, pp.
117-119.
1996 – P. Leone de Castris, “Polidoro da Caravaggio”, The
Grove Dictionary of Art, ad vocem.
2005 – D. Cordellier, De la Renaissance à l´Âge baroque: une
collection de dessins italiens pour les musées de France.
Catálogo da exposição, Paris, Louvre, p. 84

Artista

Polidoro da Caravaggio

Data

1525- 1527

Local

Lille, Palais des Beaux-Arts

Medidas

13 x 15,5 cm

Técnica

Sanguina

Suporte

Pintura

Tema

Bíblia e Cristianismo

Período

36 - SÉCULO XVI

Index Iconografico

606A18 - A Sagrada Família

Autor

Luiz Marques

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