Lamentação sobre o Cristo morto, Crucificação e Ressurreição

A obra era assinada e datada na moldura, não-conservada: LUCAS EGIDII SIGNORELLI CORTONENSIS. MDII

A documentação relativa a este que é o maior e um dos mais espetaculares retábulos de Luca Signorelli (1445-1523) indica que o pintor o estava executando em outubro de 1501 e que o terminara em fevereiro de 1502. Trata-se de uma obra destinada ao altar maior da igreja de S. Margherita em Cortona. O artista renunciou à metade do pagamento de 200 florins, “pelo amor de Deus, pela [salvação de] sua alma e pela alma de seus antepassados”.

Pode-se talvez vincular esta renúncia a uma passagem da Vida de Signorelli de Giorgio Vasari, na qual o biógrafo relata a liberalidade do artista quando do retorno à sua Cortona natal, coberto de grande reputação:

Finalmente, avendo fatte opere quasi per tutti i prìncipi d´Italia et essendo già vecchio, se ne tornò a Cortona, dove in que´ suoi ultimi anni lavorò più per piacere che per altro, come quello che, avezzo alle fatiche, non poteva né sapeva starsi ozioso.

“Finalmente, tendo feito obras para quase todos os príncipes da Itália, e já velho, retornou a Cortona, onde em seus últimos anos trabalhou mais por prazer que por outra razão, como quem não sabia ficar ocioso”.

Aos pés da cruz manchada de sangue, os dez personagens, vestidos com um luxo excepcional e dispostos em um plano muito aproximado, compõem uma cena de imensa interação dramática, sem prejuízo da clareza narrativa.

Em termos da concepção geral da forma, a cena demonstra uma compreensão profunda dos relevos dos sarcófagos antigos. A figura de José de Arimateia está vestida à antiga e sua cabeça em perfil evoca particularmente um retrato de patrício romano.

O crânio é uma evidente alusão a Adão, segundo a tradição iconográfica que estabelece um paralelo entre a queda no pecado original de parte do primeiro homem e a restauração de sua condição primeva graças ao sacrifício de Cristo. Mas, assim disposto como ao acaso em primeiríssimo plano, ele parece aludir ao fato que o Gólgota era um lugar sinistro, destinado à crucificação de crimonosos. Acima de tudo, porém, o ângulo difícil em que Signorelli o representa parece funcionar quase como uma exibição da habilidade do artista no que se refere à estereotomia, isto é, ao estudo das formas dos sólidos no espaço segundo as leis da perspetiva.

O Cristo com o motivo do braço e da cabeça pendentes pode trair o conhecimento do Cristo da Pietà de Michelangelo, terminada em 1501. O modelo pode ser o filho de

Artista

SIGNORELLI, Luca

Data

1501/ 1502

Local

Cortona, Museo Diocesano

Medidas

270 x 240 cm

Técnica

Óleo sobre madeira

Suporte

Pintura

Tema

Bíblia e Cristianismo

Período

36 - SÉCULO XVI

Index Iconografico

612 - Lamentação sobre o Cristo Morto; 610 - Crucificação e Imagens do Gólgota; 617 - Ressurreição e Cristo ressuscitado

Autor

Luiz Marques

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