Vênus anadiômene

As oito estátuas que adornam os nichos do Studiolo de
Francisco I dei Medici (1541 – 1587) foram encomendadas a
oito diversos artistas entre 1570 e 1574. Ausente da
documentação relativa à evolução das obras de decoração do
Studiolo, a atribuição desta Vênus anadiômene a Vincenzo
Danti (1530-1576) é mérito de Herbert Keutner (1958).

No programa ou invenzione de Vincenzio Borghini,
dedicado substancialmente aos quatro elementos, esta estátua
associa-se ao elemento Água, tal como explicitado em uma
carta a Giorgio Vasari, de agosto de 1570:

per l’Acqua metterei nelle nicchie due statue di donne,
perché l’acqua è molto generativa (…). Per prima piglierei
Venere in su la sua conca marina, con perle in mano.
Nell’altra Amphitrite o altra ninfa marina

“para a Água, colocaria nos nichos duas estátuas de muheres,
porque a água é muito gerativa (…). Em primeiro lugar,
colocaria Vênus em sua concha marinha, com pérolas nas mãos.
Na outra, Anfitrite ou outra ninfa marinha”.

Afrodite em sua concha marinha remete ao mito de seu
nascimento do esperma de Uranos castrado por Cronos, esperma
que se transfigura em espuma do mar. Danti substitui a
concha marinha por um golfinho, igualmente designativo da
origem marinha da deusa, de onde seu epíteto
anadyomene, “saindo das águas”.

Tal é o apelativo com o qual Plínio (XXXV, 87) se refere ao
celebérrimo quadro que Apeles teria pintado tendo por modelo
Frine, uma concubina de Alexandre (Ateneu, XIII, 590).
Datável de pouco após 336 a.C., data em que Alexandre se
torna rei, a obra seria sucessivamente dedicada por Apeles
ao templo de Asclépio na ilha de Coos, talvez após 323,
quando o artista ali se radicou. Sempre segundo Plínio
(XXXV, 91), Augusto retirou a obra desse templo e a colocou,
em 29 a.C., no templo de César, cuja gens Iulia remontava a
Eneias, filho de Afrodite.

Notando as afinidades formais desta figura com a “Salomé” do
Batistério de Florença, Marco Campigli sublinha em ambas “a
mesma elegância, a mesma harmoniosa ondulação que assinala
os contornos sinuosos dos corpos. (…) Até mesmo o penteado
torna-se nas duas estátuas protagonista. (…) ´Figura
serpentinata´, formas fluídas e harmoniosas que deslizam
ligeiras, gestos medidos e ao mesmo tempo marcados por uma
graça encantadora”.

Luiz Marques
08/12/2011

Bibliografia:
1958 – H. Keutner, “The Palazzo Pitti ‘Venus’ and Other
Works by Vincenzo Danti”. The Burlington Magazine, 669, pp.
138-168.
2008 – M. Campigli, “Venere anadiomene”, in C. Davis, B.
Paolozzi Strozzi, I grandi bronzi del Battistero. L’arte di
Vincenzo Danti. Discepolo di Michelangelo. Catálogo da
exposição, Florença: Giunti, pp. 330-332.

Artista

DANTI, Vincenzo

Data

1572/ 1573

Local

Florença, Palazzo Vecchio, Studiolo de Francesco I

Medidas

98 cm

Técnica

Bronze

Suporte

Escultura

Tema

Mitologia, História e Topografia Antigas

Período

36 - SÉCULO XVI

Index Iconografico

12Ven - Afrodite Vênus; 10Afro - Afrodite Urânia

Autor

Luiz Marques

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