Madona do Diadema Azul

Registro inventarial: Inv. 603

Essa pintura já recebeu diversos nomes, entre os quais A Madona do véu, o Sono do Menino Jesus ou Madona do Diadema azul. Este último é o mais empregado e, contudo, não dá conta do significado da obra, pois a imagem retoma um tema caro a Rafael, que remonta à iconografia do Quatrocentos: as alusões à Paixão e ao sacrifício do Cristo, através da associação de significados [Bacou e Béguin, 1983: 111].

A cena mostra o grupo sacro numa paisagem com ruínas. A Virgem, de joelhos no chão, estende um braço para levantar o véu transparente que cobre o Menino adormecido. O pequeno Batista o observa, ajoelhado a seu lado e com as mãos juntas em sinal de devoção. A cruz que traz ao ombro seria mais um símbolo da Paixão.

A Virgem vem inusitadamente coroada por um diadema, donde o nome corrente da pintura. O gesto de levantar o véu (que pode ser entendido como mortalha) para mostrar o Menino adormecido (o sono – a morte) já fora utilizado por Rafael na Madona de Loreto (Chantilly) e pode ser comparado ao de certas figuras no teto da Stanza della Segnatura (a Justiça, a Astronomia).

Quanto à paisagem composta de ruínas, esta seria próxima da que figura no afresco da Disputa del Sacramento [Cavalcaselle e Crowe, 1882]. Para Mariette [1857:276], tratar-se-ia de uma ruína perto da Vigna Sacchetti, nas imediações de São Pedro.

A invenção rafaelesca é tradicional e unanimemente reconhecida, mas a execução sempre foi inteiramente atribuída ao ateliê, sobretudo a Giovanbattista Penni (1496c.-1528) e a Giulio Romano (1499?-1546). Contudo, depois da limpeza que removeu o verniz escurecido, Oberhuber [1982:90] e Cuzin [1983] reavaliaram a questão atributiva e consideraram a obra inteiramente de Rafael.

Ferino-Pagden e Zancan [1989, p. 148] não concordam com a atribuição completa ao mestre, vendo aqui um toque desprovido de tensão e força, além da falta de precisão no tratamento dos detalhes. Ainda a favor da atribuição à escola, a análise científica do quadro revela que os drapeados azuis foram preparados sobre um fundo vermelho, uma característica que difere da técnica de Rafael [Bacou e Béguin,1983:112].

Letícia Andrade
25/01/2011

Bibliografia:
1727 – P.-J. Mariette. Abecedario. 1857-1858, IV, p. 276
1824 – A.-C. Quatremére de Quincy. Histoire de la vie et des ouvrages de Raphaël. Paris, p. 138
1839 – J.-D. Passavant. Rafael von Urbino und sein Vater Giovanni Santi, 3 vols. Leipzig, II, p. 82
1869 – F.-A. Gruyer. Les Vierges

Artista

Rafael (e ateliê)

Data

1518/ 1520

Local

Paris, musée du Louvre

Medidas

68 x 48,7 cm

Técnica

Óleo sobre madeira

Suporte

Pintura

Tema

Bíblia e Cristianismo

Período

36 - SÉCULO XVI

Index Iconografico

711 - A Virgem com o Menino Jesus

Autor

Luiz Marques

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