Laocoonte e seus filhos (imagem 1)

“As fontes antigas conservadas sobre o Laocoonte, embora não
propriamente abundantes, transmitem diversas variantes do
mito. Filho de Antenor, segundo o que reporta o Scholia
ad Lycophron
347 de Joannis Tzetzes, poeta e gramático
bizantino (1110c.-1180c.), ou filho de Capis, irmão de
Anquise, consoante Higino em suas Fabulae 135,
Laocoonte é um sacerdote e adivinho troiano que tomou parte
nos eventos pós-homéricos da Guerra de Troia, narrados em
textos gregos não-conservados, ou apenas fragmentariamente,
dentre os quais se podem citar:
 
(1) os poemas épicos do assim chamado “”Ciclo””, em especial o
Ilioupersis, atribuído a Arctino de Mileto, poema em dois
livros composto provavelmente no século VII a.C.. Apenas
algumas linhas dele se conservam e seu conteúdo é conhecido
através da Crestomacia, vv. 239 e seg., de Proclus
(século V d.C.);
 
(2) na mesma tradição de Arctino de Mileto, insere-se a
tragédia de Sófocles, intitulada “”Laocoonte””, de que se
conservam apenas alguns versos (fragm. 370-377), citados por
Dioniso de Halicarnasso (60 a.C.-8 d.C.), “”Antiguidades
Romanas”” (48, 2), publicadas em 8 a.C. Em Sófocles,
entretanto, Laocoonte não morre, apenas seus filhos.

(3) Outras fontes gregas encontram-se em versos de
Baquílides (século V a.C.), no poema “”Alexandra”” de Licofron
(século III a.C.), em Eufôrion de Câlcis, bibliotecário da
Biblioteca de Antióquia no século III a.C. (citado por
Sérvius) e no mitógrafo Lisímaco, de finais do século III
a.C.

(4) Uma versão do mito conserva-se na “”Epítome”” 5, 17-18,
reportada pelo Pseudo-Apolodoro, no século III d.C.:

“”Odisseu [Ulisses] concebeu a fabricação de um cavalo de
madeira e a propôs a Epeus, mestre da arte. Este fez talhar
madeira no monte Ida e construiu um cavalo oco com aberturas
nos flancos. Odisseu convenceu a nele entrarem cinquenta
guerreiros entre os mais valorosos (três mil, segundo a
Pequena Ilíada), enquanto os outros, uma vez anoitecido,
deveriam queimar o acampamento, zarpar, ocultar-se na
ilha de Tênedos e retornar por mar na noite sucessiva.

Os gregos acolhem o plano, fazem entrar no cavalo os
guerreiros mais valorosos, com Ulisses no comando. Sobre o
cavalo, colocam a inscrição: “”Os Gregos dedicam a Atena,
para seu retorno à casa””. Depois, atam fogo ao acampamento e
deixam ali Sinon, que devia lhes acender um sinal de fogo, e
zarpam para Tênedos.

Na alvorada, os troianos viram o acampamento grego desertado
e, certos que os inimigos tivessem fugido, levaram o cavalo
alegremente para a cidade, colocaram-no perto do palácio de
Príamo e começaram a discutir o que fazer com ele.

Cassandra, e com ela também o adivinho Laocoonte,
argumentavam que o cavalo estava cheio de guerreiros armados
e alguns deles queriam queimá-lo, outros jogá-lo em uma
ravina.

Mas a maioria preferiu poupá-lo como oferta divina. Passaram
então aos sacrifícios e aos banquetes. E Apolo envia-lhes um
sinal: das ilhas vizinhas chegam duas serpentes que devoram
os filhos de Laocoonte. Quando desce a noite e todos
dormiam, os Gregos voltam de Tênedos. Do alto da tumba de
Aquiles, Sinon acende para eles um sinal de fogo. E Helena
começou a girar em torno do cavalo e chamava os guerreiros,
imitando as vozes de cada uma de suas mulheres (…)

Quando se certificaram de que os inimigos dormiam, os gregos
abriram as portas do cavalo (…).””

No mundo latino, o tema foi tratado em perdidas tragédias
arcaicas de Lívio Andrônico e de Nevio, ambas intituladas
Equos troianus e Cícero cita uma tragédia homônima de mesmo
nome. Também Petrônio, Satyricon, 89 e Higino, Fabulae, 135.
Mas a principal fonte literária deste mito é o livro II da
Eneida.

Prófugo de Troia destruída, de que ele escapa advertido em
sonho por Heitor, e sobrevivente de um naufrágio que o leva
ao litoral de Cartago, Eneias, hóspede de sua rainha, Dido,
narra-lhe o infortúnio de Troia, vítima do estratagema do
cavalo de Ulisses (vv. 13-24):

(…)””Repulsos, quebrantados,
Pós tantos anos de fatais reveses,
Os Gregos um cavalo em ar de monte,
Divina arte de Palas, edificam,
Lavram de abeto as intecidas costas:
Voto o impõem da tornada, e o rumor vulgam.
No cego ventre, os bravos sorteando,
A escolha incluem, de hoste armada ocupam
O antro espaçoso e lôbregas entranhas.
Jaz Tênedos à vista, ilha famosa
Próspera à sombra do Priâmeo cetro;
Hoje ermo porto, às quilhas mal seguro:
Numa abra ali se escondem. (…)

(continua no comentário à imagem 2 do Laocoonte:
http://www.mare.art.br/detalhe.asp?idobra=3646)”

Artista

Agesandro, Atanadoro e Polidoro

Data

-40/ 20 a.C. circa ou 14 / 37 d.C.

Local

Vaticano, Museo Pio Clementino

Medidas

242 cm de altura

Técnica

Mármore

Suporte

Escultura

Tema

Mitologia, História e Topografia Antigas

Período

ARTE GRECO-ROMANA

Index Iconografico

84 - Eneida; 84laoc - Laocoonte II.199-231

Autor

Luiz Marques

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