Apolo do Belvedere. Imagem 3 (cabeça em perfil)

O impacto da descoberta do Apolo do Belvedere no século XVI
(continuação do texto da imagem 2)

No texto anterior (imagem 2), afirma-se que a data da descoberta do Apolo do Belvedere é 1489. Trata-se de um ano importante no processo de revalorização da escultura monumental antiga, pois data igualmente de 1489 a descoberta em S. Lorenzo in Panisperna do grupo escultural chamado Três Faunos* (hoje conhecido apenas através de um gesso), que o antiquário Giovanni Ciampolini consegue exportar de Roma para Lorenzo de´ Medici (burlando o cardeal Giuliano della Rovere) e que será a fonte mais evidente para o relevo da Centauromaquia de Michelangelo, datável pela maioria dos estudiosos de 1492.

É ainda 1489 a data em que o duque da Calábria (futuro Alfonso II, rei de Nápoles) remunera Fra Giovanni Giocondo da Verona (1433-1515) para, junto com Jacopo Sannazaro (1455-1530), inspecionar as ruínas antigas da cidade portuária de Pozzuoli (província de Nápoles), justamente em busca de novas esculturas. É enfim 1489 o ano da encomenda a Filippino Lippi pelo Cardeal Oliviero Carafa dos afrescos de sua capela na igreja romana de S. Maria sopra Minerva, nos quais o artista dá a ver suas recentes experiências com a pintura romana, ao contato com modelos figurativos da Domus Aurea e, em menor medida, do Coliseu.

Por outro lado, a localidade em que o Apolo do Belvedere foi descoberto é incerta, ainda que certo seja que esta se encontre no Lácio meridional. As fontes do século XVI falam divergentemente de Porto di Anzio (Pirro Ligorio, F. Bianchini) e de uma propriedade de Giuliano della Rovere, perto de Grottaferrata, na “estrada velha que leva a Marino” (taccuino de Bramantino).

A obra foi transferida para os jardins de S. Pietro in Vincoli, pertencentes a Giuliano della Rovere, cardeal titular dessa igreja. Eleito papa em 1503 (Júlio II), Giuliano instala-a em um nicho no Cortile della Statue, onde, ao lado do Laocoonte* e do Torso do Belvedere*, ela adquire imediata celebridade, tornando-se um dos mais prestigiosos modelos da escultura antiga e gerando, assim, um sem número de cópias e derivações, até o Perseus de Canova, de 1801.

Dentre essas recorrências, recorde-se que a cabeça do Apolo do Belvedere é o modelo da cabeça do Cristo do Juízo Final* de Michelangelo.

(continua no texto que acompanha a imagem 4).

Artista

Leocares, cópia romana de

Data

117/ 138

Local

Vaticano, Museo Pio Clementino

Medidas

224 cm

Técnica

Mármore

Suporte

Escultura

Tema

Mitologia, História e Topografia Antigas

Período

ARTE GRECO-ROMANA

Index Iconografico

12Apo - Apolo, Febo, Hélio, Sol

Autor

Luiz Marques

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