Augusto e o oráculo da Sibila Tiburtina

A lenda, recorrente na pintura dos séculos XIV a XVI, é transmitida por Eusébio, Orósio, Eutrópio Timóteo, entre outros, sendo recolhida na Legenda aurea (cap. 6) de Jacopo da Varazze, escrita nos anos 1280:

“O Imperador Otávio (diz o papa Inocêncio III) depois de ter submetido o universo à dominação romana agradou tanto ao Senado que este quis honrá-lo como um deus. Mas o imperador, cheio de prudência e sabendo-se homem, não quis usurpar a honra da imortalidade. Instado pelo Senado, consultou a sibila para saber por seus oráculos se algum dia nasceria no mundo um mortal maior que ele. isso aconteceu no dia da Natividade do Senhor, e enquanto a sibila explicava seus oráculos a sós com o imperador nun quarto do palácio, eis que no meio do dia um círculo de ouro rodeia o sol e no meio do círculo aparece uma virgem maravilhosamente bela, trazendo uma criança no colo, o que a sibila mostrou a César, extasiado com essa visão. Ele então ouviu uma voz dizer: – Eis o altar do céu. E a sibila acrescentou: “Esta criança é maior que voc6e, adore-a”. Este quarto foi dedicado à Santa Maria, sendo hoje a igreja Santa Maria in Aracoeli. O imperador (…) ofereceu-lhe incenso e a partir desse momento renunciou a ser chamado deus”.

Caron situa o prodígio sobre um pódio ao ar livre, aos pés de duas colunas salomônicas, entre as quais se lê Pietas Augusti, provável referência ao Pietatis et Justitiae, a divisa de Charles IX, cujos traços se reconhecem talvez nos de Augusto. Ao fundo, representa-se um torneio no Jardin des Tuileries, em que se reconhecem, em meio a arquiteturas fantasiosas, o castelo do Louvre, a Tour de Bois e a Tour de Nesle (do outro lado do Sena).

A obra possivelmente remete ao perdido cartão de Rosso Fiorentino mencionado por Vasari:

“entre suas coisas, depois de morto [1541], encontraram-se dois belíssimos cartões (…) e outro com a Sibila Tiburtina que mostra a Otávio imperador a Virgem gloriosa com Cristo nascido no colo. E nele representou o rei Francisco I, a rainha, a guarda e o povo com tão numerosas figuras e tão bem feitas que se pode dizer que esta foi uma das mais belas coisas de Rosso”.

Ativo em Fontainebleau entre 1540 e 1550 sob a direção de Francesco Primaticcio, Antoine Caron (1521-1599) é um pintor afeito à grande decoração e ardente ideólogo do catolicismo no contexto das Guerras de Religião.

Luiz Marques
27/04/2010

Bibliografia

1972 – S. Béguin, L`École de Fontainebleau, cat, da exposição, p. 32

Artista

CARON, Antoine

Data

1575/ 1580

Local

Paris, musée du Louvre

Medidas

125 x 170 cm

Técnica

Óleo sobre tela

Suporte

Pintura

Tema

Bíblia e Cristianismo

Período

36 - SÉCULO XVI

Index Iconografico

564.12 - Augusto e o oráculo da Sibila Tiburtina; 380G - Ara pacis

Autor

Luiz Marques

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *