Lo Staffato

Staffato é o particípio passado do verbo staffare, que significa ficar com o pé preso no estribo do cavalo. A pintura representa o cadáver de um soldado, que um cavalo arrasta em desenfreado galope por uma estrada ou descampado, paisagem devastada de que restam apenas tocos de árvores.

Giovanni Fattori pertenceu ao movimento dos Macchiaioli (termo derivado da palavra macchia, mancha),
desenvolvido entre 1850 e 1860 e formado no Caffè Michelangiolo em Florença, reunindo artistas engajados nos movimentos de resistência do Risorgimento contra o domínio austríaco.

A primeira publicação do termo que deu nome ao grupo encontra-se em um artigo de 3 de novembro de 1862 escrito por um anônimo (que assinava Luigi) na Gazzetta del Popolo:

“Tem-se falado de alguns artistas de uma nova escola chamada Macchiaioli. […] Eles são jovens artistas […] que decidiram reformar a arte começando pelo princípio que o efeito é tudo. […] Nas cabeças de suas figuras você procura pelo nariz, boca, olhos e outros traços: o que você vê são manchas sem formas; o nariz, boca e olhos estão lá – tudo o que você tem que fazer é imaginá-los. Quando rezamos para a chuva não esperamos enchente: este efeito é necessário, ninguém negaria; mas quando o efeito destrói o desenho, inclusive a forma, isto é demais. […]”.

Em Lo Staffato, a mancha é o drama da cena, concretizada nas marcas da terra do corpo arrastado do soldado, nas partes de tom mais avermelhado que sugerem o sangue. A mancha aqui é o leitmotif da composição.

Na série Classici dell´Arte Rizzoli, Luciano Bianciardi define Fattori como “o poeta da fadiga humana”, e sugere uma interessante explicação das suas inspirações:

Il fatto eroico pare che proprio non gli interessi, gli basta raccontare la fattica, l´ansia, il sudore, la paura…

“O fato heróico propriamente parece não lhe interessar, basta-lhe mostrar a fadiga, a ânsia, o suor, o medo…”.

O tema do herói vencido aparece recorrentemente nos séculos XVIII e XIX, atrelado tanto às cenas históricas de batalhas de independência, tal como na “Morte de Marat”, de Jacques Louis David (Musées Royaux des Beaux-Arts, Bruxelas), quanto a fontes literárias, tal como nas diversas representações de Mazeppa (veja-se, por exemplo, a de Horace Vernet no Musèe des Beaux-Arts de Avignon).

Lo Staffato remonta primordialmente à ira de Aquiles, da Ilíada de Homero, que arrasta longamente o cadáver de Heitor em seu carro. Sua atitud

Artista

FATTORI, Giovanni

Data

1880

Local

Florença, Galleria d'Arte Moderna, Palazzo Pitti

Medidas

90 x 130 cm

Técnica

Óleo sobre tela

Suporte

Pintura

Tema

História Medieval Moderna e Contemporânea

Período

50 - SÉCULO XIX

Index Iconografico

874 - Revoluções dos Séculos XIX e XX; 1454 - O Militar e a Batalha; 1456 - Após a Batalha; 1188 - A Morte; 1620 - Animais e animalismo; 1621 - O Cavalo

Autor

Luiz Marques

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