O protomártir Santo Estevão, apedrejado pelos judeus nos últimos dias do ano 33

A escultura de Rodolfo Bernardelli O protomártir Santo Estevão, apedrejado pelos judeus nos últimos dias do ano 33 ou Santo Estevão, como ficou conhecida, foi realizada em Roma em 1879, em um período que o artista era pensionista da Academia Imperial de Belas Artes do Rio de Janeiro.
O tema para a escultura foi retirado da “Divina Comédia”, de Dante Alighieri, canto XV do Purgatório. A evocação da morte de Santo Estevão ocorre depois que Virgílio e Dante chegam a um novo círculo. Dante primeiramente vê a imagem de Pisístrato, que exclama: “o que faremos com quem nos quer mal, se condenamos a quem nos ama?”. Tem então a visão de Santo Estevão, que apedrejado, implora a Deus por seus perseguidores. Virgílio então diz a Dante que o que vira lhe fora revelado para que não esquecesse de abrir seu coração à água da paz que emana da fonte eterna. O texto refere-se assim à virtude cristã do perdão (mansuetude).
Na base da obra há a inscrição:
“Poi vidi genti accese in foco d´irà
Con pietre un giovinetto ancider – forte
Gridando a sé pur: ´ Martira Martira!´
Purgatório Canto XV Dante”

[Vi gente acesa, após, de ira insensata
um jovem lapidar, no furor seu,
um ao outro incitava: Mata! Mata!]

O momento escolhido pelo artista é aquele em que o santo voltava os olhos para o Céu, rogando a Deus perdão para seus carrascos. Essa escultura é considerada pelo professor de Bernardelli em Roma, o escultor italiano Giulio Monteverde, como uma obra que assinala seu progresso artístico, mas no Brasil foi reprovada pelos professores da Academia Imperial de Belas Artes pelo seu grande realismo na representação do corpo e na expressão do Santo.
Bernardelli provavelmente teve como uma de suas referências principais a escultura Tarcisius Martyr Chretien (1868)* de Falguière (1831 – 1900), cujo assunto fora retirado do livro “Fabíola ou a Igreja das Catacumbas” (1854) do Cardeal Wiseman. Bernardeli produziu um relevo inspirado nesse mesmo livro, intitulado “Fabíola ou o primeiro martírio de São Sebastião”* (1878).

Maria do Carmo Couto da Silva
15/02/2010

BIBLIOGRAFIA

ALIGHIERI, Dante. A divina comédia: purgatório. São Paulo: Editora 34, 1998. p.102.
SILVA, Maria do Carmo Couto. A obra Cristo e a mulher adúltera e a formação italiana do escultor Rodolfo Bernardelli. Campinas, 2005. 271p. Dissertação (Mestrado em História) – Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Estadual de Campinas. p.71-75.
VACCANI, Celita. Rodolpho Bernardelli. Rio de Janei

Artista

BERNARDELLI, Rodolfo

Data

1879

Local

Rio de Janeiro, Museu Nacional de Belas Artes

Medidas

166 x 67 x 58 cm

Técnica

Bronze

Suporte

Escultura

Tema

Literatura Medieval Moderna e Contemporânea

Período

O SÉCULO XIX NA AMÉRICA HISPÂNICA E NO BRASIL (A PARTIR DE 1822)

Index Iconografico

1000Dant - Dante

Autor

Maria do Carmo Couto

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