A Musique aux Tuileries (Música nas Tulherias)

Considerada por muitos historiadores o primeiro exemplo de pintura moderna “Música nas Tulherias” é um conglomerado de pessoas que se in-define sob o sol da tarde num espaço aberto mediante traços soltos, e manchas de cor, que requerem, ou melhor, impõem por vez primeira, a distancia desde a qual o espectador pode reconstruir mediante o olhar uma cena da época.

Os concertos nos quais se inspira o pintor Edouard Manet, eram oficiados no palácio oficial das Tulherias numa tentativa do Imperador Napoleão III e da imperatriz Eugenia, de recuperar o fulgor pré-revolucionário do antigo regime e se conheciam como “belle soirées de l`Empire”.

Roupas elegantes, numerosos chapéus de damas e cavaleiros, saltam a vista na reunião, assim como os olhares de várias figuras que se dirigem direitamente ao espectador. Embora as grandes pinceladas de negro, empregadas por Manet, o resultado da cena é festivo e colorido, e possui todo o verismo de uma cena cotidiana do verão de 1862, quando duas vezes por semana uma orquestra militar tocava para o público entre o que o pintor era presencia habitual.
“A Musique aux Tuileries” é assim a conclusão de uma série de estudos realizados pelo artista que durante sua participação assídua a estes eventos, costumava pintar aos espectadores destes concertos de música de moda, frequentados maiormente, pelos burgueses acomodados do oeste de Paris.

Entre os personagens anônimos, o pintor inclui os retratos de alguns de seus amigos e intelectuais conhecidos da época que costumavam passear nas Tulherias, cujos rostos Manet se preocupara por estudar mediante fotografias, até conseguir retrata-lhes com poucos traços. Dentre estas figuras, os especialistas tem identificado por exemplo: o irmão do pintor, Eugène Manet no homem de chapéu alto e barba, assim como no senhor de nariz aquilina, óculos e bigode, que tem como fundo um tronco de árvore, o compositor Jacques Offenbach. Além destes habituais, Manet se representa a se próprio no borde esquerdo da obra junto a seu amigo e companheiro de atelier Albert de Balleroy, num autorretrato em que é possível reconhecer a influencia de Velázquez, o pintor mais admirado pelo artista francês.

As cadeiras de ferro estreadas nesse ano e inspiradas nas curvas do estilo rococó são colocadas pelo artista no primeiro plano numa composição inusual. No entanto, o profundo conhecimento da pintura acadêmica adquirido por Manet no ateliê do pintor Tomas Couture, pode também ser apreciado na obra, no domínio da luz que o artista manifesta, dividendo a superfície da tela a través de um único raio, e criando a través deste recurso, um perfeito equilíbrio `tradicional` uma solução inovadora que reúne contraposições como, detalhes fisionômicos e manchas esfuminhadas, junto às curvas das cadeiras e a verticalidade das árvores.

Mónica Villares Ferrer, Mestre em História da Arte,
07/06/2010

Bibliografia

Rose-Marie e Rainer, Hagen: Los secretos de las obras de arte: Del tapiz de Bayeux a los murales de Diego Rivera. Tomo II. Singapura: TASCHEN, 2005. P. 608/613.

Artista

MANET, Edouard

Data

1862

Local

Londres, National Gallery

Medidas

76 x 118 cm.

Técnica

Óleo sobre tela

Suporte

Pintura

Tema

Vida Social e Gênero

Período

50 - SÉCULO XIX

Index Iconografico

1350 - A Vida Urbana (A Via e os Espaços Públicos) ; 1700B3 - Artistas e Autoretratos ; 1700C1 - Retratos contemporâneos

Autor

Luiz Marques

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *