Retrato de Bindo Altoviti

Registro inventarial: inv. 2000.14

Tal como demonstra uma fotografia, o retrato encontrava-se ainda nos anos 1880 no Palácio Altoviti de Roma, no Rione di Ponte S. Angelo. Quando na Wildenstein Gallery de Nova York (1965), esse retrato era considerado obra de Ridolfo del Ghirlandaio. A atribuição a Jacopino del Conte (1510-1598), proposta por Federico Zeri, foi sucessivamente aceita, malgrado uma efêmera hipótese alternativa de Costamagna em favor de Giorgio Vasari, encorajada pelas estreitas relações do artista-escritor com este notável comitente.

Vasari faz notar que Jacopino se tornara nestes anos o principal retratista de Roma, sendo inclusive o autor de um dos mais notórios retratos de Michelangelo, datável de 1535c., conhecido em duas versões (coleção Chaix d´Estanges, em Paris e em uma provável réplica na Casa Buonarroti, além de em numerosas cópias. Em 1547, Jacopino toma o partido de Nanni di Baccio Bigio na disputa pelo controle do canteiro de S. Pedro, o que leva à sua ruptura com Michelangelo, de quem Altoviti permaneceu sempre um próximo amigo.

Banqueiro, grande colecionador, comitente e retratado por artistas como Rafael, Cellini, Salviati e Santi di Tito, além de protetor de Vasari, que a ele deve muito de sua carreira, Bindo Altoviti manteve-se sempre uma personagem incontornável da vida econômica, política e cultural de Roma na primeira metade do século XVI. Sua estreita aliança com os papas Paulo III (1534-1549) e Júlio III (1550-1555) – a quem ele doa diversas antiguidades para a decoração de sua célebre Villa Giulia -, garante-lhe uma posição de força em seu longo confronto com o duque Cosimo I de´ Medici, que nele encontra um potente sustentáculo dos círculos romanos de exilados florentinos.

A identificação de Bindo Altoviti (1491-1557) neste retrato é confirmada pelo gesto do retratado que indica ao espectador seu emblema – uma mulher abraçada a uma coluna em uma tempestade – símbolo da constância diante da adversidade, imagem que retorna, por exemplo, no verso de uma medalha de Altoviti, destes mesmos anos, cunhada a partir de um desenho de Benvenuto Cellini (ou ateliê).

Nascido em Roma, seu pai, Antonio, pertencente a uma família patrícia de Florença, transfere-se de Florença para a Urbe, onde funda seu banco e se casa em 1487 com Dianora di Clarenza Cibo, sobrinha do papa Inocêncio VIII, o que lhe vale o cargo de tesoureiro (zecchiere) pontifício. Filho dessa união, Bindo amplia a fortuna do pai, vindo a casar-se com Fiammetta Soderini, membro de uma família florentina de estirpe republicana.

Luiz Marques
16/08/2011

Bibliografia
s.d. – A. Stella, Bindo Altoviti. Dizionario biografico degli italiani, ad vocem.
2003 – Ph. Costamagna, in A. Chong, D. Pagazzano, D. Zikos, Raphael, Cellini. A Renaissance Banker. The Patronage of Bindo Altoviti. Catálogo da exposição. Boston, Isabella Stewart Gardner, Electa, p. 400

Artista

CONTE, Jacopino del

Data

1550/ 1553c.

Local

Montreal, The Montreal Museum of Fine Arts

Medidas

128,5 x 102,3 cm

Técnica

Oleo sobre madeira transplantado sobre tela

Suporte

Pintura

Tema

A Figura Humana Retratos e Caricaturas

Período

36 - SÉCULO XVI

Index Iconografico

1700C - Retratos Pintura; 1700C1 - Retratos contemporâneos

Autor

Luiz Marques

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