Dança da Música do Tempo (Danse de la Musique du Temps)

Gian Pietro Bellori (1672) descreve circunstanciadamente a
“Dança da Música do Tempo” ou “O Baile da Vida Humana”
(Il ballo della vita umana), tal como ele prefere
chamá-la:

Oltre le favole esposte riferiremo alcuni concetti morali
espressi in pittura, tra li quali belíssima è l´invenzione
della vita umana nel ballo di quattro donne simili alle
quattro stagioni.

Figurò il Tempo a sedere con la lira, al cui suono quattro
donne, la Povertà, la Fatica, la Riccheza e ´l Lusso,
scambievolmente si dànno le mani in giro e danzano
perpetuamente, variando la sorte de gli uomini. Ciascuna di
loro esprime la sua propria forma: stanno avanti il Lusso e
la Ricchezza, questa coronata di perle e d´oro, quella
inghirlandata di rose e di fiori, pomposamente adorne.

Dietro volgesi la Povertà in abito mesto, cinta il capo di
secche frondi in contrasegno de´ perduti beni. Viene ella
accompagnata dalla Fatica, la quale scopre le spalle ignude
con le braccia indurate e brune, e riguardando la sua
compagna mostra lo stento del corpo e ´l patimento.

A´ piedi il Tempo vedesi un fanciullo, il quale tiene in
mano e contempla un oriuolo a polvere numerando i momenti
della vita. Dal contrario lato il compagno, come sogliono i
fanciulli per giuoco, spira da un cannellino col fiato globi
di spuma e d´aria che si struggono in un momento, in
contrasegno della vanità e brevità della vita medesima.

Evvi la statua di Giano in forma di termine, e scorre in
aria il Sole nel carro con le braccia aperte entro la fascia
del Zodiaco, ad imitazione di Raffaelle, precedendo l´Alba
che sparge candidi fiori su ´l mattino, e dietro seguitano
danzando le Ore a volo.

Il soggetto di questa morale poesia fu dato al pittore da
papa Clemente IX in tempo che egli era prelato. Prevalse
Nicolò nel concetto di sí nobile e peregrina invenzione, ed
ancorché le figure siano appena due palmi, poté
corrispondere in esse felicemente alla sublimità
dell´autore, che aggiunse le due seguenti invenzioni

“Além das fábulas já expostas, mencionaremos alguns
conceitos morais expressos em pintura, entre os quais
belíssima é a invenção da vida humana no baile das quatro
mulheres semelhantes às quatro estações.

Figurou ele o Tempo sentado com uma lira, ao som do qual
quatro mulheres, a Pobreza, a Labuta, a Riqueza e o Luxo,
dão-se umas às outras as mãos em roda e dançam
perpetuamente, variando a sorte dos homens. Cada uma delas
exprime sua própria forma: na frente estão o Luxo e a
Riqueza, esta coroada de pérolas e de ouro, aquela com
guirlandas de rosas e de flores, pomposamente adornadas.

Atrás, volta-se a Pobreza em mestas vestes, a cabeça cingida
de folhas secas em sinal dos perdidos bens. Vem acompanhada
pela Labuta, que descobre as costas e os braços musculosos e
bronzeados, e, olhando sua companheira, mostra o esforço do
corpo e o sofrimento.

Aos pés do Tempo, vê-se um menino segurando uma clepsidra de
areia e enumerando os momentos da vida. Seu companheiro no
lado oposto, como o fazem as crianças de brincadeira, sopra
bolhas de espuma e ar em um canudinho que desaparecem num
instante, em sinal da vanidade e brevidade da própria vida.

Ergue-se ali a estátua de Janus em forma de herma e corre
pelo ar o Sol em seu carro com os braços abertos no círculo
do Zodíaco, em imitação de Rafael, precedendo a Alvorada que
esparge cândidas flores pela manha, e atrás esvoaçam as
Horas.

O tema desta poesia moral foi proposto ao pintor pelo papa
Clemente IX quando ainda prelado. Nicolas [Poussin] impôs-se
a este conceito de tão nobre e peregrina invenção, e ainda
que as figuras sejam de apenas dois palmos, foi capaz de
fazê-las corresponder ao sublime do autor, que acrescentou
as duas seguintes invenções”.

Seguem-se as descrições de dois quadros intitulados “A
verdade descoberta pelo Tempo” (La Verità scoperta dal
Tempo
) e “A felicidade sujeita à morte” (La felicità
soggetta alla morte
), conhecida como Et in Arcadia
ego
(Louvre).

A obra foi encomendada e seu tema ditado a Poussin pelo
Cardeal Giulio Rospigliosi (1600-1669), eleito papa com o
nome de Clemente IX, de 1667 à data de sua morte. No momento
da comissão da obra, na segunda metade dos anos 1630, Giulio
Rospigliosi fora havia pouco nomeado segretario dei
Brevi
de Urbano VIII Barberini, à sombra de cuja família
sua carreira como prelado evolui em Roma, de 1624 a 1644.

A complexidade dessa “poesia moral” bem convém a Giulio
Rospigliosi, que se havia firmado já então como poeta de
elevados concetti, graças a seu libreto para o
dramma per musica, intitulado “S. Alessio”, com
música de Stefano Landi e cenografia de Gian Lorenzo
Bernini, obra que inaugura em 1632 o Teatro Barberini.

(continua no comentário ao desenho preparatório da obra)

veja: http://www.mare.art.br/detalhe.asp?idobra=3621)

Artista

POUSSIN, Nicolas

Data

1637c. / 1640

Local

Londres, Wallace Collection

Medidas

83 x 105 cm

Técnica

Óleo sobre tela

Suporte

Pintura

Tema

Alegorias e Temas Artísticos Morais e Psicológicos

Período

SÉCULO XVII

Index Iconografico

10Cron - Cronos Saturno; 12Apo - Apolo, Febo, Hélio, Sol;
12JupxTem1 - As Horas; 14janu - Janus; 16 - O Céu, As
Constelações, Os Planetas, O Zodíaco; 146 - Dança e
dançarinos; 1100Bre - Brevidade da Vida; 1104 -
Representações do Tempo

Autor

Luiz Marques

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