Vênus e Cupido

“A obra entra nas coleções do Museu em 1951 e não há
documentação disponível a seu respeito anterior a 1858.

Ao longo da moldura externa, lêem-se os versos atribuídos
Gerrit Geldenhouer de Nimègue, alias Gerardus
Noviomagus, admonitórios contra os malfeitos de
Cupido:

Nate effrons homines superos que lacessere suet[us] non
matri parcis: parcito, ne pereas. MDXXI

“”Ó filho insolente acostumado a atormentar homens e deuses;
não poupas nem a mãe: poupa-a, se não, perecerás. MDXXI””.

A inscrição não é da mão do pintor, pois a moldura foi
redourada sucessivamente, mas é com toda a probabilidade uma
cópia da original.

Nesta “”Vênus e Cupido”” de Jan Gossaert, dito Mabuse (1478-
1521), datada de 1521, o detalhe da Vênus pisando no pé de
Cupido mostra a que ponto a obra é imediatamente derivada de
duas gravuras de Marcantonio Raimondi (Bartsch 311 e 297),
segundo Rafael.

Isto posto, ela parece igualmente trair uma recordação da
Venus felix*, o célebre grupo escultórico que ornava
desde 1509 o Cortile delle Statue no Vaticano, escultura que
Mabuse pudera estudar quando, justamente em 1509, integra-se
ao séquito de Filipe de Borgonha (1465-1524) – filho
ilegítimo do duque da Borgonha, Philippe le Bon, e futuro
bispo de Utrecht -, em sua viagem a Roma.

De fato, como se sabe pela Historia Batavica (1529)
do já citado Gerardus Noviomagus, Filipe de Borgonha havia
então solicitado a Gossaert que executasse desenhos dos
“”monumentos da Antiguidade””, quatro dos quais apenas
subsistem. Um deles inclui uma cópia do Spinario (Leiden,
Rijksuniversiteit, inv. n. AW 1041), então no Capitólio, de
modo que é plausível supor que as esculturas do Cortile
delle Statue estivessem entre suas prioridades.

O esquema geral da composição, o aspecto estatuário das
figuras, a hipótese de que originalmente a figura fosse
recoberta por um pano nos quadris, mas sobretudo a inserção
do grupo em uma arquitetura bramantiana são argumentos
persuasivos das relações desta pequena pintura com o grupo
do Vaticano, que suscitava então enorme admiração.

Luiz Marques
30/10/2011

Bibliografia:
1965 – H. Pauwels, H.R. Hoetink, S. Herzog, Jean Gossaert
dit Mabuse. Catálogo da exposição, Rotterdam e Bruges, n.
15, pp. 121-122.
1990/1991 – I. M. Veldman, “”Elements of Continuity: A Finger
Raised in Warning””. Simiolus: Netherlands Quarterly for the
History of Art, 20, 2/3, p. 128.
1995 – A. Balis, in N. Dacos, B. W. Meijer, Fiamminghi a
Roma 1508-1608. Artisti dei Paesi Bassi e del Principato di
Liegi a Roma durante il Rinascimento, Bruxelas-Roma.
Catálogo da exposição, Milão, 1995, pp. 175-178.”

Artista

MABUSE, Jan Gossaert, chamado

Data

1521

Local

Bruxelas, Musées Royaux des Beaux-Arts

Medidas

41,5 x 30,7 (com a moldura original)

Técnica

Óleo sobre madeira

Suporte

Pintura

Tema

Mitologia, História e Topografia Antigas

Período

36 - SÉCULO XVI

Index Iconografico

12Ven - Afrodite Vênus; 12Ven1 - Vênus e Cupido (Afrodite e
Eros)

Autor

Luiz Marques

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