Retrato de August Strindberg

Este retrato de August Strindberg (1849-1912) que Edvard
Munch (1863-1944) pinta em pinceladas diagonais
descendentes, e quase exclusivamente em tonalidades de azul
e vermelho, nasce entre novembro de 1892 e abril de 1893,
período em que ambos se haviam fixado em Berlim, fugindo a
dissabores e escândalos em seus respectivos países.

Embora houvesse uma diferença de 14 anos entre Strindberg e
Munch, suas relações são então de amizade, pontuadas pela
frequentação do pequeno cabaré, Zum schwarzen Ferkel
(Ao leitão preto), assim apelidado por Strindberg, que dele
se lembra com mortificada nostalgia em uma passagem de
“Inferno” (1896), na qual frisa que o cabaré fora já ponto
de encontro de E.T.A. Hoffmann (1776-1822) e de Heinrich
Heine (1797-1856).

Nesse cabaré, o escritor interage intensamente com um grupo
de artistas, dentre os quais se contam, além de Munch,
Richard Dehmel e o poeta e pianista polonês Stanislaw
Przybyszewski, que introduz Strindberg nas ideias do
ocultismo e que se tornará no ameaçador personagem Popoffsky
de Inferno, romance autobiográfico sobre o surto de
loucura de Strindberg, vivido e escrito em Paris em 1896.

O ano de 1892 é também o ano em que Munch expõe no Salão do
Verein Berliner Künstler, exposição que suscita, pela
presença de artistas estrangeiros e contestatários, a
contrariedade do diretor dessa associação, Anton von Werner,
bem como a reação do seu patrono, o Imperador Guilherme II,
que determina seu fechamento.

Como outros artistas e intelectuais desse círculo, Munch e
Strindberg sentem-se, então, atraídos pelo pensamento de
Ernst Haeckel (1834-1919), o grande biólogo e professor de
zoologia em Jena, cuja teoria da recapitulação (expressa
na fórmula: a ontogenia recapitula a filogenia) possuía
implicações importantes no domínio da degeneração, tema pelo
qual ambos os artistas sentiam-se atraídos.

Entre março e julho de 1896, Munch executa em Paris outro
retrato de Strindberg, desta feita uma litografia, enquanto
Strindberg publica no número de junho de 1896 da Revue
blanche
um ensaio sobre as pinturas de Munch. Contudo,
suas relações são então difíceis, sobretudo em decorrência
do já mencionado surto de paranóia de que é então vítima o
grande dramaturgo e pintor sueco.

Luiz Marques
06/11/2011

Bibliografia
1983 – C. Lathe, “Edvard Munch´s Dramatic Images 1892-1909”.
Journal of the Warburg and Courtauld Institutes, 46, pp.
191-206.

Artista

MUNCH, Edvard

Data

1892/ 1893

Local

Estocolmo, Moderna museet

Medidas

120 x 90 cm

Técnica

Óleo sobre tela

Suporte

Pintura

Tema

A Figura Humana Retratos e Caricaturas

Período

50 - SÉCULO XIX

Index Iconografico

1700C - Retratos Pintura; 1700C1 - Retratos contemporâneos;
1700C3 - Artistas e Autorretratos

Autor

Luiz Marques

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