Romeo y Julieta

“Romeo y Julieta”, obra do pintor moderno cubano Cundo Bermudéz, se inspira na decoração das caixas de charuto de marca homônima, explorando com um toque de ironia e senso caricatural o tema dos amantes de Verona. Cundo Bermúdez logo de um breve período como aluno da Academia de San Alejandro de Havana, viaja ao México em 1938 onde conhecera profundamente a obra dos muralistas e estuda na Academia de San Carlos, se considera que sua obra tem influencia tanto destes artistas quanto da pintora cubana Amelia Peláez. Neste sentido, é possível constatar em “Romeo y Julieta”, o emprego que Bermúdez faz de alguns dos elementos recurrentes da obra da artista da vanguarda cubana, embora o tratamento que o artista confere a os mesmos seja completamente diferente, como é o caso dos vitrais multicoloridos formando as “mamparas”, portas livres usadas para dividir os espaços interiores das casas coloniais, as grades de ferro curvado, as colunas o uso das cores primárias, etc.
As roupas inspiradas na vestimenta italiana do século XVI com que comumente são representados os amantes nas gravuras das caixas de charuto, tem sido substituída pelo nu, que deixa ao descoberto figuras de volumes esculturais. Da atitude cavaleiresca de Romeo, e da paixão do casal que nunca chegara ao ato carnal na história do dramaturgo inglês William Shakespeare, o pintor cubano passa com toda liberdade a recriar uma cena erótica na que convenientemente a distancia entre os personagens se encurta aproximando as figuras, o que da a possibilidade a Romeo beijar um dos seios da mossa, enquanto ela segura sua cabeça, num gesto ambíguo de prazer erótico e cuidado maternal. Inspirado num estilo falsamente “naif” adereçado com humor e fantasia, o pintor recreia uma cena da literatura clássica num espaço tropical em que a natureza engole parece engolir a arquitetura, fazendo do entorno uma sorte de tapete de arabesco. O pano que se interpõe entre os amantes impedindo, ironicamente, de forma pudica, o contato entre os corpos, permanece como um vestígio do caráter teatral da cena que relembra as cortinas do teatro e sugere ao mesmo tempo com sua cor vermelha brilhante a paixão entre os jovens e a perdida do estado virginal. Esta obra sorte de divertimento do pintor com a cultura iconológica ocidental, inspirada na ornamentação mercantil das caixas de charutos cubanas, é um exemplo das liberdades e dissimiles relações de que faram uso os artistas da vanguarda latino-americana durante a primera metade do século XX.

Monica Villares Ferrer, Mestre em História da Arte
16/05/2010

Artista

BERMÚDEZ, Cundo

Data

1943

Local

Coleção Particular

Medidas

95,2 x 76,2

Técnica

Óleo sobre tela

Suporte

Pintura

Tema

Literatura Medieval Moderna e Contemporânea

Período

O SÉCULO XX NA AMÉRICA HISPÂNICA E NO BRASIL

Index Iconografico

1000Shak - William Shakespeare; 1390 - Cenas eróticas e de sexo

Autor

Luiz Marques

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