Mona Lisa (Gioconda)

“Este que é decerto o mais famoso retrato da história da arte, e talvez mesmo a mais famosa pintura de todos os tempos, é também um dos retratos mais copiados (contam-se ao menos 50 cópias entre os séculos XVII e XVIII) e emulados pelos artistas, de Rafael a Corot. Com o advento dos meios mecânicos de reprodução, a Mona Lisa tornou-se também, enfim, a maior vítima da banalização da imagem.

Antes de se tornar com Duchamp no alvo predileto da derisão da indústria cultural, o mito da Gioconda advinha de seu prodigioso sfumato, que ao mesmo tempo em que incitava os artistas a reproduzi-lo, condenava-os ao que Chastel chamou de um “”complexo de inferioridade””.

A partir do século XIX, em especial a partir dos estudos de Walter Pater (1839-1894), a esta qualidade-limite da obra acrescenta-se o fascínio da “”expressão””, consubstanciado na ambiguidade do sorriso – “”o sorriso pleno de noite da Gioconda”” (Goncourt) -, não-raro associado à nova mística romântica do feminino.

Embora de Leonardo da Vinci (1452-1519) tenha-se conservado uma excepcional galeria de retratos e em especial de retratos femininos, a Mona Lisa é um dos dois únicos retratos cuja atribuição ao mestre não foi jamais posta em dúvida (o outro é o retrato de Isabella d´Este*, no Louvre).

A obra é talvez mencionado pela primeira vez no diário de Antonio de Beatis, que registra uma visita feita a Leonardo em Cloux, na França, em 10 de outubro de 1517. Na Vida de Leonardo da Vinci, Giorgio Vasari escreve a respeito:

“”Para Francesco del Giocondo, Leonardo começou um retrato de sua esposa, Mona Lisa. Ele trabalhou nesta pintura durante quatro anos e deixou-a inacabada; e hoje ela está em poder do rei François da França, em Fontainebleau””.

A idade de Lisa Gherardini, nascida em 1479 e casada com o Marquês Francesco Bartolomeo del Giocondo em 1495, é compatível com a data da execução do quadro, 1503-1506.

O retrato foi provavelmente amputado nos dois lados, onde ainda se podem ver duas colunetas de sete centímetros cada. As colunas podem ser melhor vistas no estudo da pintura por Rafael, um desenho a tinta marron, (223 x 158 mm) de 1505-1506, conservado no Musée du Louvre. A Dama com unicórnio* de Rafael na Galleria Borghese, executado em 1505 revela igualmente bem a impostação do retrato de Leonardo, muito escurecido pela oxidação do verniz.

A retratada senta-se, portanto, de costas para o vão de uma janela através do qual se pode ver, a uma grande distância, a célebre paisagem visionária que nenhuma relação guarda com a paisagem toscana.

Luiz Marques
09/07/2010

Bibliografia
1932 – H. Focillon, “”La Joconde et ses interprètes””. In, Technique et sentiment. Paris
1967 – L.D. Ettlinger, A. Ottino della Chiesa, The Complete Paintings of Leonardo da Vinci, Pengin Books, 1985, p. 103
1988 – A. Chastel, La Gioconda. L´illustre incompresa. Milão, 1989″

Artista

Leonardo da Vinci

Data

1503/ 1506

Local

Paris, musée du Louvre

Medidas

77 x 53 cm

Técnica

Óleo sobre madeira

Suporte

Pintura

Tema

A Figura Humana Retratos e Caricaturas

Período

36 - SÉCULO XVI

Index Iconografico

1700C - Retratos Pintura

Autor

Luiz Marques

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