Máscara de sátiro

Os estudos de Rita Paris e de John Jory sobre a máscara
teatral no mundo grego e romano são a fonte principal do que
segue.

As primeiras representações conservadas de performances
teatrais no mundo grego remontam ao século VI a.C. e nestas,
as máscaras ocupam uma posição de destaque. Segundo Jory, é
plausível que o uso de máscaras com sentido decorativo
origine-se no hábito de atores laureados de dedicar máscaras
que os notabilizaram a altares consagrados a Diôniso. As
máscaras, nesses casos, comemoravam ao mesmo tempo o papel
que notabilizara o ator e as festividades nas quais o ator
fora coroado.

Com o tempo, este vínculo entre a máscara e o triunfo de um
específico ator se perde. Em Roma, nenhuma máscara utilizada
por atores durantes representações teatrais conservou-se, já
que eram feitas de madeira leve ou de pano com revestimento
de estuque e cabelos verdadeiros.

No teatro grego, a máscara, o prosopon (“rosto”),
substitui inteiramente o rosto e tem função evidentemente
expressiva. Ela ajudava o público a reconhecer os
personagens e economizava o número de atores.

Não se sabe ao certo desde quando o teatro romano importa de
Atenas o uso de máscaras, às quais dá o nome de
persona. Em Roma, elas assumem a mesma função
desempenhada no teatro grego, mas a máscara romana
frequentemente não se substitui ao rosto, recobrindo apenas
sua parte superior. Ela permitia, além disso, ao ator o
pleno uso dos recursos dramáticos do olhar, como atesta
Cícero no De oratore (II, 193), ao afirmar que

“os olhos do ator parece que enviam chamas através da
máscara quando recita”.

Essa extraordinária máscara marmórea é uma reprodução
colossal de uma máscara de teatro. Ela faz parte de um grupo
de quatro máscaras marmóreas de dimensões similares (60 cm
aproximadamente), tradicionalmente consideradas – mas sem
provas – como provenientes da Villa Adriana em Tívoli. Elas
fizeram certamente parte da decoração do Claustro de
Michelangelo nas Termas de Diocleciano, onde ainda as
recorda Gabriele D´Annunzio em uma anotação de seu
Taccuino (Diário) de 26 de novembro de 1897:

Infisse nel muro le colossali maschere tragiche dalla
bocca aperta, dagli occhi dilatati, dai capelli penduli in
forma di panneggiamento.

“Inseridas na parede as colossais máscaras trágicas de boca
aberta, de olhos dilatados, de cabelos pensos em forma de
panos”.

Contrariamente ao que pensava D´Annunzio, apenas uma dessas
quatro máscaras é uma máscara de tragédia. A máscara em
exame representa um sátiro, reconhecível pelas orelhas
pontiagudas e pode aludir ao gênero chamado “drama
satírico”.

Trata-se do tipo “sátiro imberbe”, conforme a classificação
proposta no Onomasticon, um thesaurus em dez
volumes composto por Julius Pollux, gramático e rétor do
século II, nomeado pelo Imperador Cômodo (180-192)
professor de retórica na Academia, graças à sua voz
melodiosa. Incluído nas “Vidas dos Sofistas” de Filóstrato,
ele é possivelmente o alvo do Lexiphanes, uma sátira
de Luciano.

Luiz Marques
31/12/2011

Bibliografia:
1990 – R. Paris (ed.), La maschera nel teatro antico.
Catálogo da exposição. Spoleto. Roma: De Luca, p. 43.
2002 – J. Jory, “The masks on the propylon of the Sebasteion
at Aphrodisias”, in P. Easterling, E. Hall, Greek and Roman
Actors. Cambridge University Press, pp. 238-253.
2007 – R. Paris, in N. Savarese, In scaena. Il Teatro di
Roma antica. Catálogo da exposição. Roma, Coliseu. Milão:
Electa, pp. 112-113.

Artista

Arte Romana

Data

130circa?

Local

Roma, Museo Nazionale Romano, Palazzo Massimo alle Terme

Medidas

desconhecidas

Técnica

Mármore

Suporte

Escultura

Tema

Mitologia, História e Topografia Antigas

Período

ARTE GRECO-ROMANA

Index Iconografico

87 - O Teatro antigo; 87masc - A máscara; 134 - Faunos e
sátiros; 1160 - O Drama

Autor

Luiz Marques

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