Descida da Cruz

Na Vita di Daniello Ricciarelli da Volterra (1568),
Giorgio Vasari se detém nesta que é a mais célebre obra de
Daniele da Volterra (1509-1566:

avendo il medesimo Perino [del Vaga] dato a fare a
Daniello un fregio nella sala del palazzo di messer Agnolo
Massimi [Palazzo Massimi alle Colonne], con molti partimenti
di stucco et altri ornamenti e storie de´ fatti di Fabio
Massimo, si portò tanto bene, che veggendo quell´opera la
signora Elena Orsina et udendo molto lodare la virtù di
Daniello, gli diede a fare una sua capella nella chiesa
della Trinità di Roma in sul Monte, dove stanno i frati di
San Francesco di Paula.

Onde Daniello mettendo ogni sforzo e diligenza per fare
un´opera rara, la quale il facesse conoscere per eccellente
pittore, non si curò mettervi le fatiche di molti anni. Dal
nome dunque di quella signora dandosi alla capella il titolo
della Croce di Cristo Nostro Salvatore, si tolse il suggetto
de´ fatti di Sant´Elena.

E così nella tavola principale facendo Daniello Gesù Cristo
che è deposto di croce da Gioseffo e Nicodemo et altri
discepoli, lo svenimento di Maria Vergine sostenuta sopra le
braccia da Madalena et altre Marie, mostrò grandissimo
giudizio e di esser raro uomo, perciò che, oltre al
componimento delle figure, che è molto ricco, il Cristo è
ottima figura e un bellissimo scórto, venendo coi piedi
inanzi e col resto in dietro. Sono similmente belli e
difficili scórti e figure quelli di coloro che, avendolo
sconfitto, lo reggono con le fasce, stando sopra certe scale
e mostrando in alcune parti l´ignudo, fatto con molta
grazia
.

“tendo Perin [del Vaga] confiado a Daniele a execução de uma
frisa na sala do Palácio de messer Agnolo Massimi
[Palazzo Massimi alle Colonne], com muitas seções de estuque
e outros ornamentos e cenas dos feitos de Fábio Máximo,
saiu-se ele tão bem, que a senhora Elena Orsini, ao vê-la e
muito ouvindo sobre o talento de Daniele, encomendou-lhe a
decoração de uma sua capela na igreja da Trinità dei Monti
em Roma, da ordem dos frades de S. Francesco di Paula.

Onde Daniele, nela aplicando todo esforço e diligência para
realizar uma obra rara que o fizesse conhecido como
excelente pintor, não hesitou em trabalhar por muitos anos.
Do nome daquela senhora extraiu-se o tema da capela dos
feitos de S. Helena, dando-se-lhe o título de Cruz de Cristo
nosso Salvador.

E assim na cena principal, representando Cristo descido da
cruz por José, Nicodemo e outros discípulos, o
desfalecimento de Maria Virgem nos braços de Madalena e
outras Marias, Daniele mostrou-se homem raro e de
grandíssimo juízo, pois, além da composição, muito rica, o
Cristo é uma ótima figura e um belíssimo escorço, disposto
com os pés no plano aproximado e o resto mais recuado. São
igualmente belos e difíceis escorços e figuras aqueles que,
tendo despregado o Cristo, sustentam-no com faixas, sobre
certas escadas e mostram em algumas partes do corpo o nu,
feito com muita graça”.

Ao inaugurar com essa entusiástica descrição uma longa e
singular tradição de encômios dessa que é uma das mais belas
obras de Ricciarelli e de todo o século XVI, Vasari não
deixa de sutilmente retomar sua velada crítica acerca dos
seis anos de execução da obra (non si curò mettervi le
fatiche di molti anni
) – lentidão típica de Daniele e
Leitmotiv de sua biografia do artista.

A ela, Vasari opõe implicitamente a própria presteza, signo
de facilidade e virtù, de que tanto se orgulhava,
nomeadamente em seus contemporâneos afrescos dos fasti
Farnese
, de 1546, para o Palazzo della Cancelleria.

(continua nos comentários aos desenhos preparatórios desta
obra)

Artista

Daniele da Volterra (Daniele Ricciarelli, dito)

Data

1541/ 1547

Local

Roma, Trinità dei Monti

Medidas

desconhecidas

Técnica

Afresco transferido sobre tela

Suporte

Pintura

Tema

Bíblia e Cristianismo

Período

36 - SÉCULO XVI

Index Iconografico

611 - Descida e Deposição da Cruz

Autor

Luiz Marques

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