Polieidos e Glaucos na tumba

Registro inventarial: BM D 5

Este Kylix (taça rasa) de fundo claro é atribuído ao Pintor de Sótades, ativo em Atenas entre 470 e 450 a.C., assim chamado porque algumas de suas pinturas encontram-se em vasos assinados pelo oleiro Sótades, que assina também a presente obra.

Igualmente exímio em figuras vermelhas e em figuras sobre fundo claro, o Pintor de Sótades foi, segundo Jody Maxmin, aparentemente influenciado pela pintura em larga escala. E tal transparece, cremos, na ampla espacialidade e no desenho desta obra, de elegância e ritmo monumentais.

É frequente no catálogo do Pintor de Sótades temas inusuais, como este que remete a uma fábula raramente representada. Trata-se da história de como o sábio vidente Polieidos de Argos (ou de Corinto), descendente de Mantius e cujos filhos lutaram com Agamemnon em Troia, ressuscitou Glaucos, filho de Minos, rei de Creta.

A fábula não se conservou em textos anteriores a esta imagem e comparece apenas sob a pena de mitógrafos dos séculos II e III d.C., respectivamente, nas Fabulae (136) de Higino e na Biblioteca (3.3.1) do Pseudo-Apolodoro, cujo relato aqui se transcreve:

“Glaucos era ainda menino quando, perseguindo um rato, caiu em um grande cântaro cheio de mel e morreu. Após seu desaparecimento, Minos procurou-o longamente e enfim interrogou os oráculos para saber como encontrá-lo. Os Curetas disseram-lhe que, entre seus rebanhos, havia uma vaca com três cores, que mudavam continuamente, e que aquele que designasse a melhor analogia susceptível de descrever o pelo deste animal seria capaz de restituir seu filho, vivo.

Foram convocados os advinhos, dentre os quais Polieidos, filho de Cerano. Este disse que o pelo da vaca era similar ao fruto da amoreira. Obrigaram-no então a procurar o menino e ele, graças a seus conhecimentos mânticos, pôde encontrá-lo.

Mas Minos objetou que devia reaver seu filho vivo e mandou trancafiar na mesma tumba Polieidos e o cadáver. Polieidos não sabia o que fazer, quando então viu uma serpente que se acercava do cadáver. Temendo que esta o devorasse, matou-a com uma pedrada. Sobreveio uma segunda serpente que, vendo a primeira morta, afastou-se e em seguida retornou com uma erva que aplicou sobre o corpo todo do réptil. A serpente ressuscitou. Maravilhado com a cena, Polieidos aplicou a mesma erva em Glaucos que retornou à vida.

Assim, Minos recuperou seu filho, mas não permitiu a Polieidos retornar a Argos antes de ensinar a Glaucos a arte da mântica. Mau grado seu, ele lha

Artista

Pintor de Sótades

Data

-460a.C. circa

Local

Londres, British Museum

Medidas

13 cm de diâmetro

Técnica

Cerâmica

Suporte

Pintura

Tema

Mitologia, História e Topografia Antigas

Período

ARTE GRECO-ROMANA

Index Iconografico

72 - O Ciclo Cretense; 72.4 - Glaucos; 72.6 - Polieidos

Autor

Luiz Marques

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