Moinho de vento nos arrebaldes do Aracati. Todo fabricado de carnaúba. (2 de setmbro de 1859)

Esta aquarela de um moinho de vento foi realizada por José dos Reis Carvalho, o pintor da Comissão Científica de Exploração (1859-1861) em 02 de setembro de 1859. O moinho era todo feito de carnaúba e encontrava-se num engenho do litoral da cidade de Aracati, não muito distante da capital do Ceará, Fortaleza.

Assim como na pintura “Corte de Carnaúba”, Reis Carvalho voltou-se também a retratar a importância que esta planta assumia na vida do homem do sertão e para a construção dos moinhos de vento. Os moinhos de vento eram largamente utilizados na região do vale do Jaguaribe, os membros da Comissão Científica de Exploração viram estes moinhos pela primeira vez no engenho de um sítio chamado Cumbe. Francisco Freire Alemão, o chefe da Seção Botânica, fala da região de Aracati e da existência dos Engenhos de aguardentes, feitos em madeira, pequenas “fábricas” de sabão, de velas e de licores e dos moinhos de vento. Foi assim que o naturalista descreveu-o: ” uma bomba que tira água de um poço… tocados por vento” que eram usadas para aguar plantações.

O “Álbum Histórico do Seminário Episcopal do Ceará”, um documento comemorativo da Arquidiocese do Ceará de 1914, informa que a cidade de Fortaleza, ainda em 1892, não possuía abastecimento de água e esgotos. As casas utilizavam ventarolas girantes dos cataventos para aspirarem água das cacimbas. Segundo o “Álbum Histórico”, no Seminário da Prainha “havia apenas uma cacimba com uma bomba aspirante e premente manivelados à mão. Mais tarde construiu-se um grosseiro catavento de madeira. Urgia corrigir tão incompleto sistema e mandou-se vir o catavento americano que está perto do refeitório. Sendo insuficiente para o consumo da casa a água tirada desse poço, mandou-se furar outra cacimba, pateo dos preparatoristas, e assentou-se outro catavento igual ao primeiro”.

Ainda hoje, os moinhos são fabricados em escala industrial mas com outros materiais, são utilizados para extrair água de poços artesianos das casas e do comércio espalhados pelas localidades de Fortaleza.

Claudio Alves
24/02/2010

Bibliografia

BRAGA, Renato. “História da Comissão Científica de Exploração”. Fortaleza: Imprensa Universitária do Ceará, 1962. (pg. 22).

ARQUIDIOCESE DE FORTALEZA. “Álbum Histórico do Seminário Episcopal do Ceará”. Fortaleza, 1914. (pg. 130-1)

Artista

REIS CARVALHO. José dos

Data

18592 de setembro

Local

Rio de Janeiro, Museu Histórico Nacional

Medidas

19,30 x 29,00 cm

Técnica

Aquarela

Suporte

Pintura

Tema

Natureza Paisagem e Arcádia

Período

O SÉCULO XIX NA AMÉRICA HISPÂNICA E NO BRASIL (A PARTIR DE 1822)

Index Iconografico

1602 - Paisagens com arquiteturas e figuras

Autor

Claudio Alves

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