Retrato de Baccio Valori

Documentado na coleção dos Medici em 1553, este retrato que
Sebastiano del Piombo executa de Baccio Valori foi outrora
identificado com Pietro Aretino e com Anton Francesco degli
Albizzi, mencionado por Vasari.

Filho de um membro da Accademia Platonica, Bartolomeo
(Baccio) Valori (1477-1537) será, como comissário
pontifício, o verdadeiro homem forte da restauração, em
aliança com Malatesta Baglione e com três enviados de
Clemente VII: Roberto Acciaioli, Francesco Vettori e
Francesco Guicciardini.

O grande historiador aparece então como um dos protagonistas
da repressão anti-republicana, a ponto de ser apelidado “Ser
Cerrettieri”, o crudelíssimo Bargello do Duque de
Atenas, tirano da cidade nos anos 1342-1343.

Em 20 de agosto de 1530, após a rendição da República em
face de um longuíssimo assédio iniciado em 1529, Baccio
Valori ocupa a Piazza della Signoria de Florença com quatro
batalhões de soldados Corsos, faz eleger uma nova
Balia de 12 cidadãos, restaura os Medici, aclamados
por seus partidários, os Palleschi, aos brados de Palle
Palle!
, alusivos aos globos emblemáticos do brasão
familiar, e dissolve todos os conselhos republicanos.

Ironicamente, o grande executor da restauração terminará,
após o assassinato de Alessandro de´ Medici em 1537, por se
voltar contra a tirania dos Medici, aliando-se a Filippo
Strozzi na malfadada tentativa de restaurar a República. A
derrota na batalha de Montemurlo levará à sua prisão e
decapitação, juntamente com seu filho e sobrinho, em 1537.

Símbolo da opressão dos Medici a partir de 1530, Baccio
explorará ao máximo Michelangelo. Conforme atesta uma carta
sua ao artista de inícios de 1532, Michelangelo é forçado a
se ocupar do projeto e da administração da complexa
reconstrução de sua casa, demolida pelos Republicanos como
retaliação aos traidores, e deverá lhe fazer um retrato ou
um busto (uma fighura), além de lhe entregar a
célebre escultura do Davi / Apolo, hoje no Museo del
Bargello em Florença.

Ver: http://www.mare.art.br/detalhe.asp?idobra=3487

Ele terá ainda este retrato executado por Sebastiano del
Piombo, conforme relata Giorgio Vasari na “Vida” do pintor
veneziano:

ritrasse Sebastiano Andrea Doria, che fu nel medesimo
modo cosa mirabile, e la testa di Baccio Valori fiorentino,
che fu anch´essa bella quanto più non si può credere
.

“Sebastiano [del Pìombo] retratou Andrea Doria, de modo
igualmente admirável, e a cabeça de Baccio Valori
florentino, ela também bela quanto crer se possa”.

Vestido com uma suntuosa pele, o retratado ergue-se como um
arco imponente, ocupando toda a extensão da ardósia e fita o
espectador com uma expressão cansada, talvez cínica, e em
todo o caso desprovida de toda empatia. Trata-se de um dos
retratos mais profundamente sombrios e desencantados de
Sebastiano del Piombo, ainda profundamente abalado pela
experiência do Saque de Roma, tal como revela uma carta sua
a Michelangelo de 24 de fevereiro de 1531:

che in vero è da far pochissimo conto de le acione dela
fortuna, tanto è triste e dolorosa. Io mi son ridutto a
tanto, che potria ruinar l´universo, che non me ne curo e me
la rido di ogni cossa.

“pois na verdade deve-se dar pouquíssima importância à ações
da fortuna, tanto é ela má e dolorosa. Tal como me encontro
hoje, o universo poderia se arruinar e eu pouco me
importaria e me rio de tudo”.

Luiz Marques
25/03/2012

Bibliografia
1980 – M. Lucco, L´opera completa di Sebastiano del Piombo.
Milão: Rizzoli, n. 79.

Artista

Sebastiano del Piombo (Sebastiano Luciani, dito)

Data

1530/ 1531

Local

Florença, Galleria Palatina, Palazzo Pitti

Medidas

78 x 66 cm

Técnica

Óleo sobre ardósia

Suporte

Pintura

Tema

A Figura Humana Retratos e Caricaturas

Período

36 - SÉCULO XVI

Index Iconografico

1700C - Retratos Pintura; 1700C1 - Retratos contemporâneos

Autor

Luiz Marques

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