Madona de Bruges

Nos Archives des Etats de Bruges, um documento atesta que Alexander Mouschron, comerciante de roupas inglesas em Roma e em Florença, encomendou a construção de um altar, com um “suntuoso tabernáculo”, no qual seria posto “uma excelente estátua da Virgem, muito custosa e preciosa”.

Em seu diário de viagem aos Países Baixos, em 1521, Dürer anota ter visto, em Notre Dame de Bruges:

das alawaser Marienbildt, das Michael Angelo von Rohm gemacht hat.

“a imagem de Maria em alabastro feita por Michelangelo de Roma”.

A estátua foi levada à Paris no período napoleônico, mas devolvida ao mesmo altar em 1815. Em 1952, foi ela exposta no Salone delle Armi, do Museo del Bargello, em Florença, em troca do tríptico Portinari, de Van der Goes, conservado nos Uffizi.

Situando-a em sua narrativa imediatamente após o São Mateus*, Giorgio Vasari escreve a respeito em sua Vida de Michelangelo:

“Fez ainda em bronze uma escultura de Nossa Senhora por encomenda de certos comerciantes flamengos da família Moscheroni, pessoas nobilíssimas em seus países, que por ela pagaram cem escudos e a enviaram para Flandres”.

A iconografia da obra deriva do tipo bizantino da Virgem Platytera, com superposição frontal das duas figuras, estando o Menino Jesus no colo da Virgem, mas envolto em uma mandorla.

A mais importante ocorrência deste tipo na escultura renascentista é a Madona de Donatello (1448) no centro do grupo de esculturas para o altar maior de Sant´Antonio, em Pádua. Derivando de um modelo vêneto-bizantino anterior ou de protótipos de pintores toscanos do século XIII, tais como Margarito d´Arezzo e Coppo di Marcovaldo, a mandorla mística do bronze de Donatello é, segundo Tolnay [1943] “interpretada em sentido realístico e transformada em drapeado”.

Vários estudiosos propõem que a Madona de Bruges destinava-se a coroar o altar do escultor Andrea Bregno, na catedral de Siena, encomendado pelo Cardeal Francesco Piccolomini, futuro Pio III, para cuja decoração Michelangelo assinara em junho de 1501 um contrato prevendo a execução de 15 estátuas.

A morte de Pio III em 1503 levaria ao abandono por parte de Michelangelo do ambicioso programa decorativo sienense. O artista teria, então, discretamente vendido a obra a Alexander Mouschron por um preço muito elevado, o que explicaria uma carta sua ao pai, pedindo que não deixasse que a obra fosse vista.

Segundo Forlani Tempesti [1987:368], Rafael haveria, contudo, encontrado um meio de estudá

Artista

Michelangelo Buonarroti

Data

1502/ 1504

Local

Bruges, O.L. Vrouwekerk

Medidas

128 cm

Técnica

Mármore

Suporte

Escultura

Tema

Bíblia e Cristianismo

Período

36 - SÉCULO XVI

Index Iconografico

711 - A Virgem com o Menino Jesus

Autor

Luiz Marques

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