Mosaico de Lod

Os mosaicos foram descobertos acidentalmente em 1996 na cidade de Lod, em Israel, a antiga cidade de Lydda, destruída pelos romanos durante a Conquista de Jerusalém em 66. Adriano (117-138) refunda a cidade e a nomeia Dióspolis, e Sétimo Severo eleva-a em 200 à posição de colônia romana.

Os mosaicos foram o pavimento de uma edificação destruída, cujas paredes eram recobertas de afrescos, provavelmente uma residência particular. Eles integram um complexo com medidas de aproximadamente 15 x 9 metros e as escavações em curso, dirigidas por Miriam Avissar, estão trazendo à luz outros aposentos recobertos com mosaicos. A presença neste ambiente de moedas de finais do século III e inícios do século IV situam a execução dos mosaicos por volta do ano 300, datação que não diverge de suas características estilísticas.

O mosaico aqui reproduzido articula-se em uma série de triângulos e quadrados contendo, sobre fundo branco, representações de peixes, cabras, aves e panteras, que cercam um octágono central onde se vêem animais selvagens africanos, muito raramente representados em mosaicos e relevos antigos: uma girafa, um rinoceronte, um elefante, um tigre, um touro ou búfalo e, ao fundo, sobre dois rochedos, dois leões e um ketos, um monstro marinho.

Segundo C.S. Lightfoot, Curador do Department of Greek and Roman Art do The Metropolitan Museum of Art de New York, alguns dos animais são colocados em posição de combate, aludindo aos espetáculos romanos de enfrentamentos entre feras na arena de anfiteatros. Segundo este estudioso, os rochedos ao fundo sobre os quais posam os leões referir-se-iam às montanhas da Etiópia, num esforço de ambientar os animais em seu habitat original, mas também de representar os limites do mundo, razão pela qual o ketos marítimo viria a personificar a divindade Oceanus, símbolo do oceano desconhecido que rodeava a Terra.

A figura do touro, aparentemente destoante das demais feras, poderia representar, sempre segundo Lightfoot, um auroque, ou Bos primigenius, uma espécie extinta de bovinos selvagens que anteriormente percorriam a Europa, o Sudoeste da Ásia e a África do Norte.

As duas panteras suspensas ao lado de uma cratera, na parte de baixo do mosaico, podem aludir aos ritos dionisíacos ou, mais simplesmente, à ideia genérica de riqueza, bem-estar e prosperidade.

O conjunto da representação, de excepcional qualidade, é emoldurado por uma decoração em treliças de três diversos padrões.

Luiz Marques
21/12/2010

Bibliografia:
1973 – Toynbee, J.M.C. Animals in Roman Life and Art. Baltimore and London: The John Hopkins University Press
1998 – M. Avissar, “Lod-A Mosaic Floor,” Excavations and Surveys in Israel 17, pp. 169-172.
1998 – A. Ovadiah and S. Mucznik, “Classical Heritage and Anti-Classical Trends in the Mosaic Pavement of Lydda (Lod),” Assaph, Studies in Art History 3, pp. 1-16.
2010 – C.S. Lightfoot, The Roman Mosaic from Lod.
http://www.metmuseum.org/now-at-the-met/features/2010/09/23/the-roman-mosaic-from-lod,-israel.aspx

Artista

Anônimo

Data

300c.

Local

Lod, Shelby White and Leon Levy Lod Mosaic Center

Medidas

200 x 200 cm aproximadamente

Técnica

mosaico de mármore

Suporte

Pintura

Tema

Natureza Paisagem e Arcádia

Período

ARTE GRECO-ROMANA

Index Iconografico

1620 - Animais e animalismo; 1205 - Mapas e Representações Históricas ou Arcaicas da Terra; 1208 - Representações Alegóricas dos Continentes; 1208C - África

Autor

Luiz Marques

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