Retrato busto de Giovanni Gioviano Pontano

Registro inventarial: inv. PB 153

Inscrição na base: Ioannes Iovianus Pontanus / Alfonsi
Calabriae Ducis Praeceptor
Giovanni Gioviano Pontano,
Preceptor do Duque Alfonso de Calabria)

O grande poeta, homem de Estado e humanista, Giovanni
Pontano (1429-1503), transfere-se em 1448 para Nápoles,
chamado por Alfonso o Magnânimo, em cuja corte se distingue
como preceptor de Carlo de Navarra e de Alfonso, filho de
Ferdinando I. Torna-se em seguida deste último secretário
e habilidoso servidor, con la penna e con la spada,
em suas lutas e guerras contra os angevinos e contra Veneza,
bem como em sua intrincada diplomacia em relação a Roma,
onde em 1486 será coroado como poeta.

Em Nápoles, Pontano fundará a Accademia pontiana, na qual
toma o nome de Gioviano. Suas obras em prosa serão editadas
em cinco volumes pelo erudito napolitano Pietro Summonte com
a colaboração de Jacopo Sannazzaro (Nápoles, 1505-1512) e
suas Obras completas aparecerão em Basileia em 4 volumes em
1556.

O presente retrato busto mostra Pontano já entrado em anos,
vestido com uma toga all´antica, a expressão severa,
o olhar penetrante, as sobrancelhas espessas, o senho
franzido e o fronte e os olhos sulcados por rugas profundas,
traços todos característicos da gravitas do grande
homem de Estado e orador romano.

Esta estudada transfiguração do retratado em personagem da
República romana era algo relativamente usual na
retratística florentina desde, por exemplo, o retrato busto
de Niccolò da Uzzano (1432c.), por vezes atribuído a
Donatello, e mesmo Lorenzo Ghiberti representa-se nesses
mesmos anos em um retrato clipeado brônzeo de matriz antiga
na “Porta del Paradiso” do Batistério de sua cidade.

Adriano Fiorentino (1450/1460-1503), autor deste retrato
busto de Pontano, é um escultor em bronze e medalhista ativo
na corte de Lorenzo de´ Medici (este a ele se refere em seus
Protocolli de 1483 e 1484 como l´Adriano
nostro
).

Possivelmente formado no ateliê de Bertoldo di Giovanni,
Adriano funde para ele o “Belerofonte e Pégaso” de 1481-
1482, hoje em Viena, Kunsthistorisches Museum (com a
inscrição na base: Expressit me Bertholdus conflavit
Hadrianus
), obra provavelmente encomendada por Febo
Capella, embaixador de Veneza em Florença e dedicatário do
Qui sit lumen de Marsilio Ficino.

Por volta de 1488, Adriano trabalha em Nápoles, servindo
Ferdinando de Aragão e diversos membros de sua corte, dentre
os quais Giovanni Pontano, que lhe encomenda, além deste
busto, um retrato em relevo marmóreo (New York, Metropolitan
Museum) e uma medalha em homenagem a seu poema astrológico,
Urania.

Luiz Marques
16/05/2012

Bibliografia:
1943 – C. Previtera, Giovanni Pontano, Dizionario Biografico
degli Italiani, ad vocem.
2007 – V. Sapienza, Adriano de´ Maestri (Adriano
Fiorentino), Dizionario Biografico degli Italiani, vol. 67,
ad vocem.
2011 – A. Bayer, in K. Christiansen, S. Weppelmann, The
Renaissance Portrait. From Donatello to Bellini. Catálogo da
exposição, New York, The Metropolitan Museum of Art, pp.
314-317.

Artista

Adriano Fiorentino (A. di Giovanni de´ Maestri)

Data

1488/ 1494

Local

Gênova, Museo di Sant´Agostino

Medidas

49,5 x 50,2 x 19,2 cm

Técnica

Bronze

Suporte

Escultura

Tema

A Figura Humana Retratos e Caricaturas

Período

SÉCULO XV

Index Iconografico

1700B - Retratos Escultura; 1700B1 - Retratos contemporâneos

Autor

Luiz Marques

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