Estudos de uma Graça, de um Apolo, de um Fauno e de duas figuras drapeadas

Registro inventarial: inv. (35)29

O fólio, outrora pertencente a Mariette, apresenta estudos a pena de três figuras nuas de costas e de perfil e de duas figuras drapeadas.

A figura nua masculina foi identificada como um Fauno, mais precisamente, segundo S. Meller, um dos caçadores esculpidos no assim chamado Sarcófago de Meleagro no Campo Santo de Pisa.

A figura feminina de perfil seria, segundo Tolnay [1975], uma das Graças do grupo das Três Graças na Biblioteca Piccolomini.

A figura feminina de costas foi identificada por David Eskerdjian com o torso do Apolo Sauroctone do Museo Archeologico Nazionale de Nápoles, que se encontrava em inícios do século XVI na corte da Casa Sassi em Roma. A estátua acéfala e faltante abaixo dos joelhos foi transformada em figura feminina não apenas por Michelangelo, mas por Parmigianino e outros artistas do século XVI.

Como modelo da figura drapeada ao centro foram propostos o S. João Evangelista do afresco da Esmola de S. Pedro na Capela Brancacci, outra figura de Filippino Lippi, na mesma capela, a S. Lucia da Pala dei Magnoli de Domenico Veneziano, nos Uffizi, ou ainda uma figura perdida da Sagra del Carmine de Masaccio.

A assiduidade com que Michelangelo estuda os afrescos de Masaccio é atestada pelos decassílabos que Annibale Caro, amigo de Michelangelo apõe por volta de 1543 a seu sepulcro na igreja do Carmine:

Pinsi, e la mia pittura al ver fu pari
L´atteggiai, l´avvivai, le diedi il motto,
Le diedi affetto. Insegni il Buonarroto
A tutti gli altri, e da me solo impari

“Pintei, e a minha pintura foi da verdade par / Infundi-lhe porte, avivei-a, dei-lhe movimento, / Dei-lhe afeto. Que Buonarroti ensine a todos, e de mim, apenas, aprenda).

A frequentação dos afrescos da Capela Brancacci pelo jovem artista confirma-se ainda em uma passagem das memórias de Benvenuto Cellini (1500-1551), que reporta uma recordação de Pietro Torrigiano:

Questo Buonaaroti [sic] e io andavamo a ´mparare da fanciulletti innella chiesa del Carmine, dalla cappella di Masaccio.

“quando éramos crianças, este Buonarroti e eu íamos estudar no Carmine, na Capela de Masaccio”.

Além do presente fólio, sobrevivem os seguintes testemunhos dos estudos de Masaccio por Michelangelo:

1. O São Pedro do afresco do Tributo de Masaccio na Capela Brancacci do Carmine de Florença, 395 x 197 mm., Munique, Kupferstichkabinett, Graphische Sammlung, Inv. n. 2191

2. Três figuras de pé, em perfil, um deles com chaves na cintura. Lápis, 201 x 294 mm, Viena, Albertina, Inv. Sc.R, 150 (fig. 58). Estudos provavelmente a partir do perdido afresco em terraverde de Masaccio, outrora no claustro do convento do Carmine, representando a consagração da igreja em 1422.

4. Cópia da Expulsão de Adão e Eva do Paraíso de Masaccio, na Capela Brancacci. Paris, Louvre, Inv. 3897, 325 x 185 mm.

Luiz Marques
14/01/2011

Bibliografia:
1993 – D. Eskerdjian, “Parmigianino and Michelangelo”. Master Drawings, XXXI, 4, pp. 390-394.
1995 – C. Lanfranc de Panthou (col.), Dessins italiens du Musée Condé à Chantilly. Paris, RMN, p. 126

Artista

Michelangelo Buonarroti

Data

1490/ 1501 (?)

Local

Chantilly, Musée Condé

Medidas

261 x 386 mm

Técnica

Pena

Suporte

Pintura

Tema

Mitologia, História e Topografia Antigas

Período

SÉCULO XV

Index Iconografico

12JupxEur1 - As Graças ou Cáritas Áglae, Eufrosine, Tália; 12Apo - Apolo, Febo, Hélio, Sol

Autor

Luiz Marques

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