Retrato de Pierre Leroux

Tipógrafo e jornalista, filósofo, frenologista e místico,
crítico literário, filântropo e ativista político, Pierre
Leroux (1797 – 1871) é uma das grandes figuras do socialismo
francês de meados do século XIX. Amigo de George Sand, com
quem funda em 1841 La Revue indépendante, ele se
elege deputado na Assembleia Constituinte de 1848 e depois
na Legislativa de 1849, sendo proscrito, ao lado de Victor
Hugo, pelo golpe de estado de Luís Bonaparte de 2 de
dezembro de 1851.

Exilado, tal como Hugo, na ilha de Jersey, Leroux dirige
L´Espérance, revue philosophique, politique,
littéraire
e em 1853 publica o que ele considera sua
“grande obra” (carta a George Sand de 1854), o Cours de
Phrénologie
, publicado em Jersey, mas praticamente
desconhecido até a recolha de seus escritos em Paris por
Boris Souvarine (1895-1984), que os envia ao Instituto Marx-
Lênin de Moscou, então dirigido por seu amigo David Riazanov
(logo eliminado por Stalin).

Às críticas de Leroux a Victor Hugo sobre o não-engajamento
político de sua poesia, o poeta responde com Les
Contemplations
(1856). Inclemente com o companheiro de
exílio, Hugo cunha-lhe o apelido de philou-sophe,
(jogo de palavras com “filou”: malandro, trapaceiro,
ladrão), que ele aplica ao Thénardier dos Misérables.

E quando Leroux dedica um livro aos Péreire, aliados de
Bonaparte, o poeta fulmina: J´ai toujours pensé qu´il y
avait du mouchard dans ce vieil escroc
(Sempre pensei
que havia algo de um traidor neste velho escroque).

Em uma carta a Hugo, sua amante, Juliette Drouet (1806-
1883), descreve Leroux em termos ainda mais impiedosos:

affreux petit chicotin de communiste, vieille ganache du
socialisme suranné et ratatiné comme sa chétive et délabrée
carcasse puante

“horrível suquinho de fel de comunista, velho tolo do
socialismo obsoleto e amesquinhado, tal como sua raquítica e
arruinada carcaça mal cheirosa”.

Enfim, quando de sua morte no ano da Comuna de Paris, Hugo
em 22 de abril de 1871 se retrata:

J´avais écrit plus haut sur Pierre Leroux une ligne vraie
et juste, mais dure. Je l´éfface

“Havia escrito acima sobre Pierre Leroux uma linha
verdadeira e justa, mas dura. Apago-a”.

Nadar retrata Leroux aos 63 anos, envelhecido e um pouco
decrépito, fitando o espectador com olhar turvo e
desencantado, a cabeça apoiada na mão na típica posição do
melancólico. O momento de Leroux, de retorno a Paris após o
longo e duro exílio em Jersey, tinha passado.

Luiz Marques
04/10/2010

Bibliografia
1982 – J. Viard, “Leroux et les Romantiques”. Romantisme,
12, 36, pp. 27-50
2003 – C. Malécot, Le Monde de Victor Hugo vu par les Nadar.
Paris, Éditions du Patrimoine, p. 95

Artista

NADAR, Félix (Gaspard-Félix Tournachon)

Data

1860c.

Local

desconhecido

Medidas

desconhecidas

Técnica

Fotografia

Suporte

Pintura

Tema

A Figura Humana Retratos e Caricaturas

Período

50 - SÉCULO XIX

Index Iconografico

1700C1 - Retratos contemporâneos; 1330 - O Intelectual; 1328
- A Imprensa e a Charge; 1471 - O Socialista

Autor

Luiz Marques

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