Interior con columnas ou Naturaleza muerta

Esta natureza morta apresenta algumas das características distintivas da produção de Amelia Peláez, que partem do evidente interesse da artista por plasmar na suas obras, de modo diferente a como tinha sido representado pelos pintores do período colonial, elementos típicos do espaço circundante, não somente da luz e da cor, senão particularmente a arquitetura.
Nesta obra é possível identificar o interior de uma casa colonial cubana, a partir do vitral vidraça multicolorida em forma de leque a través da qual se filtra a luz que ilumina a cena descompondo as formas em figuras geométricas a partir de diferentes zonas de cor. Predominam na paleta vibrante de Amelia as cores azul, vermelho, amarelo e verde, delimitadas por fortes traços de linhas pretas que relembram por sua vez, as grades das janelas coloniais. Identificamos na cena as colunas outro elemento típico da arquitetura da Havana identificada pelo escritor cubano Alejo Carpentir como “La ciudad de las Colunmas”.
Numa composição perfeitamente equilibrada ocupando o centro, encontra-se uma mesa decorada com diversas frutas tropicais entre as que identifiamos o abacaxi e varias mangas.
Em Cuba, a incorporação dos elementos arquitetônicos constitui um traço definitivo da pintura moderna e, em determinados casos, representa um dos aspectos diferenciadores da linguagem pessoal dos artistas. Fato constatável através das mãos de Amelia Peláez a partir do ano 1940, em que a obra da pintora conquista sua verdadeira maturidade profissional, depois de ter-se passado pela Academia de San Alejandro de Havana (1912) continuando sua formação no Art Students League de Nova Iorque (1924) para concluir lha em Paris como aluna da Académie Contemporaine de Legér junto a Alexandra Exter.
Na obra desta artista, assim como na de outros representantes da vanguarda latino-americana, com os que ela dialogo como é o caso da pintora brasileira Tarsila do Amaral, cria-se, como característica intrínseca do próprio modernismo, o auto-reconhecimento identificador. Esta característica pode ser percebida a partir da assimilação e incorporação de elementos e recursos externos que tributam um panorama real do que cada uma das artistas concebe como cultura e idiossincrasia nacional.

Monica Villares Ferrer, Mestre em História da Arte.
23/04/2010

Artista

PELÁEZ, Amelia (1897/1968)

Data

1951

Local

Havana, Museo de Bellas Artes

Medidas

45,5 x 35

Técnica

Têmpera

Suporte

Pintura

Tema

Natureza Paisagem e Arcádia

Período

O SÉCULO XX NA AMÉRICA HISPÂNICA E NO BRASIL

Index Iconografico

1624 - Natureza Morta

Autor

Luiz Marques

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